Foto: Frait Drones/@frait.drones
Mafra completa 109 anos nesta terça-feira (8). Antes de se tornar município, porém, o território que hoje abriga mais de 55 mil habitantes já era cenário de circulação de pessoas, disputas, imigração e atividades que ajudaram a definir os caminhos da cidade.
Muito antes da formação dos núcleos urbanos, a região era habitada pelos indígenas Xokleng. A paisagem também passou a ser percorrida por tropeiros, que utilizavam a antiga Estrada da Mata como rota de ligação e passagem de pessoas, animais e mercadorias pela região.
Com o avanço da ocupação, diferentes grupos de colonizadores e imigrantes passaram a fazer parte da história da região. Portugueses oriundos de São Paulo contribuíram para a colonização local, enquanto os bucovinos tiveram participação no desenvolvimento da agricultura. Os alemães deixaram marcas na arquitetura e na formação da comunidade, e os sírios-libaneses fortaleceram o comércio local. A presença desses diferentes povos ajudou a construir, ao longo do tempo, a diversidade cultural que marca Mafra.
Foto: Riomafra Mix/Arquivo
Naquele período, entretanto, Mafra ainda não existia como município. Segundo o historiador Sandro Moreira, o território fazia parte de Rio Negro.
A situação mudou em meio a um dos períodos mais conturbados da história do Sul do Brasil. A região esteve diretamente envolvida na Guerra do Contestado, conflito que teve entre suas causas a disputa territorial entre Paraná e Santa Catarina.
O fim da disputa veio com o acordo de limites entre os dois estados, firmado em 1916. A definição das novas fronteiras abriu caminho para a criação de Mafra em território catarinense. “A fundação do município aconteceu oficialmente em 8 de setembro de 1917, e seu superintendente foi Vitorino de Sousa Bacelar, considerado o primeiro prefeito de Mafra”, explica Sandro.
A partir da emancipação, o município passou a construir sua própria trajetória econômica e urbana. Entre as atividades que ganharam importância ao longo das décadas estiveram a produção de erva-mate, que movimentou a economia regional, e o transporte de mercadorias e pessoas pelo rio Negro.
Foto: Divulgação
A chegada da ferrovia foi outro momento decisivo, ampliando as possibilidades de transporte e comércio e conectando Mafra a outras cidades. Décadas mais tarde, as rodovias também assumiriam papel fundamental nesse processo, especialmente a BR-116 e a BR-280, que contribuíram para consolidar a cidade como ponto de ligação regional. A história do município também inclui sua participação durante a Segunda Guerra Mundial.
Ao longo de mais de um século, as mudanças econômicas e sociais transformaram o município, mas a diversidade de sua formação permaneceu. Atualmente, Mafra reúne descendentes de alemães, poloneses, portugueses, italianos, ucranianos, sírios-libaneses, bucovinos, turcos, japoneses, luxemburgueses, espanhóis e indígenas, entre outros grupos que contribuíram para a formação da comunidade.
Foto: Divulgação
Dos antigos caminhos percorridos pelos tropeiros à estrutura urbana atual, a história de Mafra foi construída em diferentes etapas e por diferentes mãos. Em 109 anos de município, esses capítulos se somaram e ajudaram a formar a cidade que hoje faz parte da história de Santa Catarina.
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