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domingo, 27 de setembro de 2026
Voltar Adriana Moro

A arte existe porque a vida não basta

Vou comprar uma bailarina pra mim já que não consegui ainda começar a dançar.

1 de junho de 2026 · 16:56 · 3 min de leitura

Foto: Magnific

 

"A arte existe porque a vida não basta" (Ferreira Gullar). 

 

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Com esta célebre frase do poeta brasileiro, inicio a nossa conversa de hoje no desejo de contar um pouco do que senti no Festival Literário de Santa Catarina, que aconteceu de 21 a 31 de maio de 2026 na cidade de Joinville, onde estive no último final de semana.

 

Estive por lá apresentando meu livro “As meninas que nunca perderam a graça” em sua reedição de comemoração de 10 anos de seu lançamento. Também a comemoração dos meus 10 anos de carreira literária.

 

 

Conheça mais do livro aqui ou diretamente com a autora.

 

Foi tudo lindo por lá! Não consegui ver autores famosos que admiro como Valter Hugo Mãe e Carla Madeira. Mas pude receber os meus leitores, aqueles que já conhecem meus livros e aqueles que passaram a conhecer a partir dali. Também revi e abracei amigos.

 

É fato que aquele mundo me encanta desde criança. Livros, livros, livros e mais livros. Pessoas vestidas de personagens. Contação de histórias. Entrevistas com autores já conhecidos. Além de promoções de produtos ligados a literatura, artistas fazendo pinturas na hora, personagens andando pelos corredores. Muita imaginação.

 

Vi meu filho de cinco anos tão animado quanto eu tirando foto com o “roqueiro com cara de caveira”, como o batman e a abelhinha. E ainda, nós dois com a branca de neve depois dele ter participado de uma contação de história narrada pelo lobo mal, e sendo um dos porquinhos. Eu vi riso, dança e a esperança de que a arte nos faça mais leves neste mundo tão cheio de guerra, fome, inveja e preconceito. Isso me trouxe felicidade!

 

Tem um livro que se chama “Vamos comprar um poeta” do autor português Afonso Cruz (Editora Dublinense) que fala justamente sobre esse assunto, de que a arte pode nos salvar de uma vida utilitarista, onde tudo é medido, contabilizado e comercializado.

 

 

Conheça mais do livro aqui.

 

No livro a filha criança pede ao pai para comprar um poeta. Mesmo achando a ideia absurda inicialmente, o pai aceita a ideia por acreditar que a poesia pode servir para aliviar o estresse, aumentando a produtividade da família. Mas a convivência com o poeta faz com que a família perceba a beleza e o valor das pequenas coisas e das emoções autênticas. A obra utiliza a premissa distópica para criticar a exaustiva lógica da produtividade e o desprezo pela arte.

 

Fiquei muito emocionada e tocada por este livro, assim como fico quando participo de eventos literários e vejo tantas crianças e adolescentes pelos corredores alimentando a sua imaginação. Eu ali desejando que nunca percam este hábito e a levez que ele traz.

 

Há alguns meses parei de contabilizar minhas leituras para postar no instagram. É fato que isso me ajudava a controlar o quanto eu lia, até estimulava algumas pessoas a fazerem o mesmo. Mas também percebia que algumas pessoas comentavam que não conseguiam alcançar aqueles números e isso as desanimava. Dessa forma comecei a focar mais na qualidade e nas resenhas por aqui, tentando mostrar que o mais importante não é a quantidade do que se lê. E sim, fazer com que esse hábito e outros, como desenhar, pintar, fotografar, tornem nossa vida mais leve. Melhorando nossa saúde mental.

 

Não sei se tenho conseguido atingir os meus objetivos de incentivar as pessoas a procurarem coisas que lhe dão algum tipo de prazer nas artes ou nos esportes, ou nas conversas com os amigos, mas digo que a vida não pode ser só trabalhar, produzir, sofrer e mesmo assim postar felicidade.

 

Lembram que eu tinha me colocado como desafio começar a dançar? Ainda não deu certo! Mesmo assim, continuo achando que essa arte me faria bem. Mais arte e movimento sempre podem nos fazer bem.

 

E você, como tem sido sua agenda? Alguma poesia por aí?

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