
A mafrense Greyse Renata Hau viveu meses de preparação intensa até chegar ao calor e à emoção do Havaí, onde participou do Campeonato Mundial de Ironman, uma das provas mais desafiadoras do triatlo mundial, que exige resistência e dedicação fora do comum.
A triatleta, de 41 anos, iniciou a preparação em outubro do ano passado, com foco no Ironman Brasil, realizado em Florianópolis, em junho, que garantiu sua classificação para o mundial. Desde então, foram meses de treinos diários, sem folga, conciliando a profissão, a casa e a rotina esportiva. “Após a classificação, tive cerca de quatro meses para me preparar exclusivamente para o mundial. Os treinos são diários, normalmente com duas modalidades por dia. Sozinha não dá. Graças a Deus meu marido me ajudava com as tarefas do dia a dia, porque eu realmente não tinha tempo para nada”, contou.
Em Mafra, Greyse enfrentava manhãs geladas e treinos sob neblina, uma rotina que contrastava com o clima do Havaí. “Peguei muito frio, até geada, e precisei adaptar a rotina conforme o clima. Já em Kona, distrito onde a prova foi realizada, o calor e o vento forte foram os principais desafios”, explicou.
Durante a prova, Greyse encarou condições extremas ao longo dos 226 quilômetros, que incluem 3,8 quilômetros de natação, 180 de ciclismo e 42,2 de corrida.
A largada aconteceu no mar cristalino de Kona, ponto que impressiona até os atletas mais experientes. Para ela, a natação foi o momento mais marcante da competição. “A água é mais limpa que a de uma piscina. É uma natação linda, dá pra ver os peixes, e até golfinhos apareceram no dia. Mas é também muito disputada, com muita gente lado a lado, se empurrando e se batendo o tempo todo”, relatou.
O maior desafio, no entanto, veio na etapa de ciclismo. O percurso de 180 quilômetros é marcado por subidas longas e ventos laterais fortes, exigindo força e concentração. “A subida de Hawi é uma das mais famosas. Parece que não acaba nunca, é como subir umas oito ou dez ruas como a Felipe Schmidt em sequência. E na descida, o vento é tão intenso que, se não jogar o peso do corpo no guidão, a bike tomba. É preciso manter o corpo firme, o braço contraído, e isso causa dor nas costas, na nuca. É um momento físico e psicologicamente tenso, porque qualquer erro pode te tirar da prova”, relatou Greyse.
A maratona, última etapa do Ironman, exigiu ainda mais resistência mental. “Do meio pro fim da corrida, parece que o corpo não vai mais. O calor extremo cansa muito, e você precisa buscar força na cabeça pra continuar. Mas, ao mesmo tempo, é um momento lindo. Correr próximo ao mar, ver o pôr do sol e saber que está prestes a concluir um sonho. É difícil explicar a emoção de cruzar aquela linha de chegada”, contou.
Com todo o esforço e superação, Greyse completou o desafio com o sentimento de dever cumprido, garantindo o 83º lugar entre 235 mulheres da categoria 40 a 44 anos e o 506º entre 1.568 competidoras no geral.
O esporte, segundo ela, é também uma herança de família. Filha de professor de educação física, Greyse acredita que o esporte foi “imbuído” nela desde cedo. “Acho que isso está muito enraizado em mim, desde pequena participava de corridas e tinha essa paixão pela atividade física. Isso me ajuda muito a amar o esporte da maneira que eu amo”, disse.
Após meses de treinos intensos e da maratona final no Havaí, ela agora foca na recuperação do corpo e da mente. “Foram meses seguidos de treinos longos, então agora é hora de dar uma pausa, cuidar da musculatura e das articulações”, explicou.
Greyse segue com os treinos, porém de forma mais leve, e já garantiu seu próximo desafio: o Ironman de Curitiba, que será realizado em 8 de março de 2026.
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