
Quem passa pela lateral do Colégio Barão de Antonina, na rua Alfredo de Almeida, em Rio Negro, tem se deparado com artes que chamam a atenção e, inicialmente, causam estranheza, nos muros da instituição.
São bandeiras reproduzidas em grande escala, com escritas e expressões sobre o processo colonial.
Trata-se da obra “Coma Colonial”, do artista indígena Gustavo Caboco, que integra o projeto “Museu nas Ruas”, uma iniciativa que leva obras do acervo do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC) para espaços públicos em cidades do interior e litoral do estado.
Em Rio Negro, o impacto visual e simbólico da instalação chamou a atenção não apenas pela estética, mas também pelo que representa: uma provocação à memória, à história e ao pertencimento indígena.
Além do processo colonial nas terras brasileiras, as obras propõem um diálogo com a ancestralidade e com o território originário.
Segundo Gustavo Caboco, natural de Curitiba e do povo Wapichana, o trabalho é uma continuidade das histórias contadas por sua mãe, Lucilene Wapichana, no ateliê de costura onde iniciou sua formação artística ainda na infância.
“A memória da relação ancestral com a terra é algo que nada pode apagar”, afirma o artista, cuja produção transita por diversas linguagens, como desenho, pintura, têxtil, instalação, performance, fotografia, vídeo, som e literatura.
Além de Rio Negro, o projeto “Museu nas Ruas” também passa por outras cinco cidades paranaenses com população entre 20 e 70 mil habitantes: Jacarezinho, Guaratuba, Matinhos, Palmeira e Santo Antônio da Platina.
Em cada local, obras do acervo do MAC foram ampliadas em painéis fotográficos e expostas em escolas ou espaços públicos, democratizando o acesso à arte contemporânea e ampliando os canais de diálogo entre o museu e o público fora dos grandes centros.
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