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Besc, o banco das imensas filas nos anos 90, está “de volta”: agora, investigado

Documentos ligados ao antigo banco catarinense reaparecem em investigação sobre operações financeiras envolvendo o Banco Master.

14 de março de 2026 · 17:38 · Atualizada em 14 de março de 2026 · 17:50 · 2 min de leitura

Em Mafra, antiga agência ficava na praça Guilherme Abry, a popular “praça dos bancos”. Foto: Google Street (com edição)

Você lembra do Banco do Estado de Santa Catarina, o popular Besc?

Nos anos 1990 e início dos anos 2000, quem viveu aquela época provavelmente ainda guarda na memória as longas filas nas agências. Em muitas cidades, era comum esperar duas ou até três horas para pagar as contas básicas do dia a dia. Faturas da Telesc, da Celesc, boletos diversos. Quase tudo passava pelo balcão do banco estadual.

Naquele tempo, não haviam aplicativos de celular, internet banking ou pagamentos por aproximação. Para grande parte da população, ir até a agência era simplesmente a única forma de resolver a vida financeira do mês. 

O Besc estava presente em praticamente todas as cidades catarinenses, inclusive Mafra, e fazia parte da rotina de milhares de famílias riomafrenses.

Décadas se passaram, o banco foi incorporado ao Banco do Brasil e parecia ter ficado apenas na memória de quem enfrentou aquelas filas intermináveis.

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Mas o nome do antigo banco catarinense voltou a aparecer nos noticiários, agora em um contexto bem diferente.

Cártulas ligadas ao antigo Besc surgiram em operações investigadas no caso envolvendo o Banco Master. Esses papéis já haviam sido descritos pelo Tesouro Nacional, anos atrás, como títulos associados a fraudes financeiras.

Segundo a apuração, esses documentos estariam entre ativos que circularam em operações financeiras investigadas. A linha de investigação busca entender se títulos antigos, considerados sem valor ou irregulares, foram utilizados em estruturas financeiras mais recentes.

O caso ainda está em análise por órgãos federais e envolve grande volume de dados e documentos apreendidos. Por isso, investigadores tratam as informações com cautela enquanto os detalhes são apurados.

Mesmo assim, o simples reaparecimento desses papéis já chama atenção por resgatar um capítulo antigo do sistema financeiro catarinense. Um capítulo que muitos acreditavam ter ficado restrito à história do antigo banco estadual.

Agora, décadas depois das filas nas agências e dos pagamentos feitos no balcão, o nome do Besc volta à tona em meio a uma investigação que pode ter repercussões muito maiores do que se imaginava.

Nos bastidores da investigação, cresce a percepção de que uma onda de desdobramentos ainda pode se formar, capaz de atingir reputações até aqui consideradas ilibadas em Santa Catarina e gerar reflexos até mesmo no ambiente das próximas eleições.

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