
Cinco meses após a morte da cadela "Pitucha", que gerou comoção em Mafra e em toda a região, o caso teve um desfecho final na Justiça.
O homem, de 26 anos, acusado do crime, teve a prisão preventiva substituída por internação provisória, após a conclusão de um laudo de sanidade mental.
Segundo o despacho da juíza Karolin Guesser, o laudo apontou que o réu é portador de esquizofrenia paranoide, com transtorno psicótico crônico e prejuízo global da crítica, da percepção, do pensamento e da conduta.
Diante do diagnóstico, o Ministério Público solicitou a substituição da prisão pela medida de internação, com base no artigo 319, inciso VII, do Código de Processo Pena, o que foi acatado pelo Judiciário.
O inquérito foi conduzido pela Divisão de Investigação Criminal (DIC), da Delegacia de Polícia Civil de Mafra.
Relembre o caso O caso aconteceu no dia 1 de março, quando um morador de rua, de origem paraguaia, foi preso em flagrante pela Polícia Militar após maltratar um cachorro até a morte em Mafra. Testemunhas relataram que o homem foi visto arrastando o animal amarrado a uma corda.
A PM foi acionada após populares presenciarem o homem arrastando um cachorro, amarrado a uma corda, na altura da praça Lauro Müller.
Ainda segundo testemunhas, quando o homem estava em uma rua mais adiante, foi possível ouvir os uivos do animal, que sofreu pancadas na cabeça e teve hemorragia interna.
Um abrigo resgatou o cão e o levou para uma clínica veterinária, mas o animal não resistiu aos ferimentos.
Repercussão e protesto A comoção resultou em um protesto organizado por ONGs de proteção animal, realizado no dia 9 de março, na praça Lauro Müller, no mesmo local do crime.
A mobilização reuniu moradores, ativistas e entidades como Riomafra Pelos Animais, Anjos de Patas e Abrigo Amigo Fiel.
O ato teve como objetivo chamar atenção para os casos de maus-tratos registrados na região e pedir punições mais rigorosas para crimes contra os animais.
A cadela “Pitucha” se tornou um símbolo da luta contra os maus-tratos aos animais em Riomafra. Dias após o fato, o animal foi cremado pela Funerária Henvida, e suas cinzas foram entregues ao Abrigo de Cachorros Amigo Fiel, acompanhadas de um certificado e da marca de sua pata.
Defesa dos animais Para Patrícia Krzesinski, presidente do Clube Ecológico Canforeira, a responsabilização no caso é um sinal de que a Justiça pode agir em defesa dos animais.
“Infelizmente a Pitucha não volta mais, mas ela deixou uma forte comoção, que é importante reforçar que a vida animal importa. E qualquer ato de crueldade, seja cometido por quem for, precisa de uma resposta da Justiça. Neste caso, houve responsabilização, mesmo que adaptada à condição do autor do crime. Isso não apaga a dor, mas sinaliza que vidas animais não devem ser tratadas como descartáveis”, comentou.
Ainda, de acordo Patrícia, denunciar maus-tratos é essencial para que a crueldade não passe impune. “O silêncio protege o agressor, a denúncia protege a vítima”, concluiu.
Como denunciar maus-tratos? O delegado Eduardo Borges, titular da DIC, informou que as denúncias podem ser feitas de forma online, no site da Polícia Civil de Santa Catarina, através do telefone 181 ou presencialmente na delegacia.
Para denunciar de forma anônima, basta acessar a "Delegacia Virtual" no site, clicar em “Comunicar Central de Denúncias” e selecionar a opção “Denúncia Anônima”.
Para denúncias presenciais, basta comparecer à delegacia local e informar a ocorrência, que será encaminhada à DIC.
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