
Já pensou em viajar de Itaiópolis até o Maranhão? O destino é sonhado por muitos, mas, em vez do conforto do carro ou do avião, imagine encarar o percurso de mais de 5 mil quilômetros apenas de bicicleta. É esse desafio que o itaiopolense Guilherme Halan Lada, de 30 anos, decidiu realizar.
Morador do bairro Bom Jesus, ele iniciou a viagem no dia 10 de julho, rumo aos Lençóis Maranhenses e atualmente está em Ibiraçu, no Espírito Santo. “Há uns três anos conheci o cicloturismo e achei incrível. Um dia só disse ‘bora’ e parti antes que pudesse desistir. Sempre quis conhecer o mundo, e cada vez mais as coisas materiais pareciam perder o sentido”, contou.
A rotina na estrada é intensa: Guilherme pedala de 50 a 70 quilômetros por dia, dependendo do clima e da altimetria. No início, dormia em postos de combustível, mas logo percebeu que preferia outro estilo. “Agora estou optando pelo camping selvagem, no interior, no meio do mato. É muito mais tranquilo, dá pra descansar melhor.”
As dificuldades também fazem parte do trajeto. Para ele, a maior batalha não é apenas física. “O mais difícil é a luta dentro da mente. Mas já passei por perrengues, como uma vez em que as formigas atacaram minha barraca no meio da noite e precisei mudar de lugar às pressas.”
Essa não é a primeira vez que ele se arrisca em uma grande pedalada. Há três meses, o ciclista tentou a primeira viagem, mas sofreu uma queda, onde quebrou o rádio do antebraço, resultando em uma cirurgia com parafusos. Após a recuperação, prontamente retornou à estrada para seguir com o desafio.
Guilherme leva apenas o essencial: roupas, barraca, saco de dormir, isolante térmico, fogareiro e comida. Sobre a rotina de cuidados com a bagagem, ele explica: “Cada dia lavo uma peça de roupa e penduro na bike para ir secando durante a viagem.”
Por carregar bastante peso, a bicicleta também precisa de cuidados ao longo do percurso. Guilherme realiza reparos em bicicletarias pelo caminho e conta ainda com recursos arrecadados por uma rifa online em seu Instagram para manter a parceira de viagem em boas condições.
Sobre o futuro, Guilherme deixa em aberto a ideia de voltar para casa pedalando. “Talvez nem tenha volta. Estou planejando conhecer todos os estados brasileiros, se tudo der certo. Estou evoluindo muito, aprendendo e realmente me sentindo vivo.”
Em Itaiópolis, ficaram os familiares e amigos, que, segundo ele, têm sido uma parte essencial dessa jornada. “O apoio é inenarrável. Recebo muitas mensagens, comentários, dicas. Isso tem sido incrível.”
Antes de partir para a estrada, Guilherme trabalhava em fábricas e postos de gasolina de Itaiópolis. Hoje, com a vida sobre duas rodas, diz que encontrou um novo propósito. “Precisamos acreditar mais em nós mesmos, ter mais fé. Somos capazes de qualquer coisa se tivermos foco e disciplina. Além de estar vivo, precisamos nos sentir vivos. A vida é agora”, finaliza.
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