Fotos: Divulgação
Dez dias após a morte de Valdelina Marcelo, de 82 anos, o filho da idosa voltou a se manifestar nesta quarta-feira (26) para cobrar respostas sobre o atendimento prestado à mãe na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Mafra.
Segundo Luiz Marcelo, desde que tornou o caso público, nenhuma autoridade o procurou para esclarecer o que aconteceu.
Valdelina morreu às 6 horas do dia 16 de agosto, depois de passar pela UPA e retornar para casa. O caso ganhou repercussão no dia 18, quando Luiz publicou um vídeo relatando a sequência dos acontecimentos e questionando a conduta adotada durante o primeiro atendimento.
Agora, oito dias depois da primeira manifestação pública, ele voltou a gravar um vídeo. Além de cobrar explicações, Luiz afirma que quer providências para evitar que outras famílias enfrentem situações semelhantes.
“Eu quero uma resposta para o que aconteceu. Não pode ficar assim. Eu perdi a minha mãe e ninguém falou nada”, afirmou.
Filho diz que esperava explicações
No novo vídeo, Luiz afirma que esperava ser procurado por representantes da saúde ou do poder público, inclusive para ser informado caso algum ponto apresentado por ele no primeiro relato não correspondesse ao que consta nos registros do atendimento.
“Não me procuraram para dizer: ‘Você está errado, não aconteceu isso, aconteceu aquilo’. Estou esperando alguém se manifestar e falar alguma coisa para mim”, disse.
Ele também voltou a descrever as condições da mãe antes de procurar atendimento. Segundo Luiz, Valdelina saiu de casa andando e conversando, foi levada de carro até a UPA e retornou para casa após ser atendida.
“Ela passou por esse portão andando. Embarcou no carro conversando, foi lá, voltou, desembarcou do meu carro e entrou. Na madrugada eu tirei ela daqui bem ruim”, relatou.
Relembre o caso
Conforme o relato apresentado pela família, Valdelina procurou atendimento na UPA de Mafra no dia 15 de agosto. Após passar pela unidade, ela recebeu alta e retornou para casa.
Durante a madrugada, o estado de saúde da idosa piorou e ela precisou ser levada ao Hospital São Vicente de Paulo. Valdelina morreu às 6 horas do domingo, dia 16.
Posteriormente, o filho informou que a mãe apresentava pneumonia e passou a questionar se a gravidade do quadro poderia ter sido identificada durante a passagem pela UPA.
Medo de procurar atendimento
No novo desabafo, Luiz também afirma que o episódio afetou sua própria confiança no serviço. Segundo ele, ao não se sentir bem recentemente, teve receio de procurar a UPA.
“Eu ontem mesmo não me senti bem. Tive medo de ir lá na UPA”, declarou.
Luiz ainda mencionou ter tomado conhecimento de outro caso envolvendo uma criança que teria passado por atendimento e posteriormente sido internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) fora do estado. Ele, no entanto, ressaltou que não possui autorização da família para falar sobre o caso.
Por esse motivo, o relato envolvendo a criança não foi detalhado e não há, até o momento, confirmação independente sobre as circunstâncias mencionadas por ele.
Situação da família
Outro ponto apresentado no novo vídeo é a situação enfrentada pela família após a morte de Valdelina. Segundo Luiz, a mãe auxiliava financeiramente uma das filhas, custeando despesas como aluguel, água, energia elétrica e alimentação.
“A minha mãe pagava aluguel para minha irmã, fazia compra do mês, pagava luz e água. Agora a minha irmã ficou aqui. Como é que ela vai pagar?”, questionou.
Ele também reclama que, além da ausência de esclarecimentos sobre o atendimento, ninguém teria procurado a família para saber como os parentes estavam após a morte da idosa.
Cobrança aos vereadores e autoridades
Luiz também direcionou cobranças aos vereadores de Mafra. Segundo ele, apenas um parlamentar teria se manifestado sobre a situação até agora. No vídeo, o filho pede que representantes políticos acompanhem o caso e cobrem providências relacionadas à saúde municipal.
Ele afirma que pretende continuar buscando esclarecimentos e que poderá procurar autoridades em outras esferas caso não obtenha respostas em Mafra.
“Eu não vou parar por aqui. Eu vou longe, nem que tenha que ir para Florianópolis e falar com deputado. Eu quero mudança para o povo”, afirmou.
Apesar das críticas à UPA, Luiz fez questão de diferenciar o atendimento prestado posteriormente pelo Hospital São Vicente de Paulo. Segundo ele, a equipe hospitalar tentou socorrer Valdelina, mas o quadro já estava agravado.
“Quando minha mãe foi lá, correram por ela, mas não deu mais tempo”, disse.
Ao finalizar o vídeo, Luiz afirmou estar disposto a conversar com representantes da saúde, autoridades e demais envolvidos, desde que o diálogo ocorra com respeito.
“Eu quero debater com qualquer um que venha debater comigo dentro do respeito. Só que eu quero resposta”, concluiu.
Prefeitura e gestão da UPA não responderam
O Riomafra Mix também buscou esclarecimentos sobre o caso.
No dia 19 de agosto, a reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Mafra e com o gestor da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Carlos Augusto de Oliveira, encaminhando questionamentos relacionados ao atendimento prestado a Valdelina e às circunstâncias relatadas pela família.
Até a publicação desta matéria, porém, nenhum dos questionamentos encaminhados havia sido respondido.
O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura de Mafra e da gestão da UPA. Caso haja retorno, a matéria será atualizada.
0 Comentários
Fazer loginOs comentários são de responsabilidade de seus autores. Ao comentar, o usuário declara estar de acordo com nossa Política de Privacidade e Termos de Uso. Faça login para participar da discussão.
Faça login para participar da discussão sobre essa matéria.
Fazer login para comentar
