Fotos: Robson Komochena
"Quer saber como a cidade se preocupa com o meio ambiente? Olhe para seus rios". A reflexão do biólogo, ambientalista e educador ambiental Júlio Costin resume um tema que ganha ainda mais destaque nesta sexta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente. Em Rio Negro e Mafra, a preservação dos recursos naturais convive com desafios que envolvem os rios, a biodiversidade e os impactos cada vez mais perceptíveis das mudanças climáticas.
De acordo com o biólogo, atualmente a principal preocupação de quem acompanha a área de perto é a falta de programas permanentes de educação ambiental e conservação. “Precisamos de ações contínuas voltadas à proteção dos recursos hídricos, das abelhas nativas, da Mata Atlântica e da biodiversidade local”, explica.
Situação dos rios
Os rios da região ajudam a retratar diferentes realidades ambientais. Enquanto o rio Negro segue sendo apontado como um importante patrimônio natural de Riomafra e apresenta potencial para iniciativas ligadas à conservação ambiental, à pesca esportiva sustentável e ao turismo ecológico, outros cursos d'água convivem com problemas relacionados à degradação dos habitats e à qualidade da água.
No rio da Lança, por exemplo, a disponibilidade de peixes já não é a mesma observada por moradores e pescadores décadas atrás. Segundo Júlio, a redução está associada aos impactos da ocupação urbana, à degradação dos habitats naturais e a diferentes ações humanas acumuladas ao longo do tempo.
O rio da Lança nasce em Itaiópolis e segue seu curso até Mafra, passando por diferentes áreas da região.
“O rio São Lourenço também apresenta desafios importantes. Ao longo de sua bacia, recebe diferentes tipos de efluentes provenientes das atividades humanas. Os reflexos dessa situação podem ser observados em trechos entre Mafra e Itaiópolis, evidenciando a necessidade de ampliar o monitoramento da qualidade da água, recuperar as matas ciliares e fortalecer as ações para reverter a situação atual do rio”, afirma.
O avanço das macrófitas aquáticas na represa São Lourenço chamou atenção em Santa Catarina em 2025 e motivou investigações sobre possíveis impactos ambientais. Foto: Marlon Müldenberger
O biólogo também ressalta que “ainda conhecemos pouco sobre a ictiofauna local”, ou seja, sobre o conjunto de espécies de peixes que habitam os rios da região. “As mudanças observadas na composição das comunidades de peixes merecem estudos permanentes para compreender os impactos ambientais, as transformações ecológicas em curso e as melhores estratégias de conservação”, destaca.
Rio Bandeira, na altura da Vila Ivete, em Mafra.
Problemas no dia a dia
No cotidiano das cidades, atitudes frequentes dos moradores ainda causam danos ao ecossistema local, muitas vezes sem que as pessoas percebam. O descarte inadequado de resíduos, que se acumulam principalmente nas matas ciliares do rio Negro, o desperdício de água, a queima de resíduos, a separação incorreta do lixo e a retirada da vegetação próxima aos rios estão entre os problemas mais comuns.
Rio Passa Três, em Rio Negro.
Essas ações locais se somam às consequências globais das mudanças climáticas, que já se fazem visíveis na região. “Enchentes mais frequentes, períodos de estiagem e variações climáticas mais intensas já fazem parte da realidade de Riomafra”, observa.
Como reflexo recente dessas transformações, o biólogo destaca a observação de bandos de papagaios e tirivas (Psitacídeos) na área urbana de Mafra no final de maio de 2026, fato que reforça a importância dos remanescentes de Floresta Ombrófila Mista, também conhecida como Mata de Araucária.
Cenário para os próximos anos
Para os próximos anos, a principal preocupação está no aumento dos eventos climáticos extremos, na perda gradual da biodiversidade e na falta de investimentos permanentes em conservação ambiental e pesquisa científica.
Ao mesmo tempo, Júlio acredita que a preservação pode se tornar uma oportunidade de desenvolvimento para Riomafra, por meio de iniciativas como o turismo ecológico, a observação de aves, a pesca esportiva responsável, a valorização das abelhas nativas e projetos de educação ambiental. Segundo ele, essas ações podem gerar empregos, fortalecer a economia e incentivar a conservação da natureza.
“Preservar não significa impedir o desenvolvimento. Preservar significa garantir água de qualidade, oportunidades econômicas e qualidade de vida para as futuras gerações”, afirma.
“Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, deixo uma reflexão simples para cada morador de Riomafra: antes de perguntar o que o poder público, as empresas ou as entidades ambientais fizeram pelo meio ambiente, pergunte a si mesmo: ‘O que eu fiz pelo meio ambiente de Riomafra?’. A resposta para essa pergunta pode ser o primeiro passo para construirmos uma região mais sustentável, mais próspera e mais preparada para os desafios do futuro”, finaliza.
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