
Uma votação secreta chamou a atenção nesta terça-feira (11), durante a sessão da Câmara de Vereadores, em Rio Negro.
Por 8 votos a 2, os parlamentares decidiram manter o veto parcial do prefeito Alessandro von Linsingen (PSD) à Emenda 17/2025, que previa a destinação de R$ 2,5 milhões ao Hospital Bom Jesus no orçamento municipal de 2026.
O caráter sigiloso da votação chamou atenção de internautas que acompanhavam a transmissão pelas redes sociais e do público no plenário, mas o procedimento seguiu o que determina o Regimento Interno da Casa. O Artigo 187 estabelece que as deliberações sobre veto devem ocorrer por voto secreto.
A Emenda 17/2025 foi aprovada anteriormente pelos vereadores e realocava recursos da Reserva de Contingência para garantir subvenção social ao hospital. No entanto, o prefeito vetou o dispositivo sob a justificativa de que a emenda apresentava irregularidades técnicas.
Na mensagem encaminhada à Câmara, o Executivo argumentou que a fonte de recurso indicada seria inexistente no PLOA 2026, além de apontar possível violação à finalidade legal da Reserva de Contingência e afronta à Lei 4.320/1964 e à Lei de Responsabilidade Fiscal.
O veto foi analisado pela Comissão de Legislação, Justiça e Redação, que emitiu parecer pela manutenção da decisão do prefeito. O entendimento da comissão foi levado ao plenário e confirmado pela maioria dos vereadores.
Com a manutenção do veto, a Emenda 17/2025 fica excluída da Lei Orçamentária Anual de 2026, e o orçamento municipal segue sem a previsão específica do repasse ao Hospital Bom Jesus.
A decisão ocorre após um histórico de mobilização em torno do tema. Em dezembro, a aprovação da emenda foi recebida com aplausos do público que lotou o plenário na última sessão ordinária do ano.
Ortopedia e cirurgia geral A primeira consequência prática da ausência de recursos foi anunciada em 30 de janeiro, quando a diretoria do Hospital Bom Jesus informou a suspensão do sobreaviso nas áreas de ortopedia e cirurgia geral.
Segundo a diretoria, a decisão ocorreu em razão do encerramento da vigência do termo de fomento firmado com a Prefeitura de Rio Negro, encerrado em 2025.
Ainda, de acordo com o hospital, sem o repasse financeiro, se tornou inviável manter os atendimentos especializados em regime de sobreaviso.
Veja o veto na íntegra
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