
A menina tinha um sonho, tornar-se bailarina. Quando via alguém dançando na TV ficava encantada. Sentava-se no chão com as pernas cruzadas em posição de borboleta aos pés da mãe, enquanto esta assistia algum programa com música e pessoas dançando. Coluna reta, disciplinada.
Como todo bom sonho, algum dia teria de se tornar-se realidade e foi assim que conseguiu uma bolsa e foi aprender a arte que lhe encantava. Queria fazer aquilo pelo resto da vida...
Para quem achou que não conhecia este meu lado “dançarino” pode ficar tranquilo, esta menina da história não sou eu! Na infância dancei lambada como toda boa criança que nasceu na década de 80, mas nunca passou disso. Até na juventude achei que sabia dança gaúcha, mas descobri que não quando conheci meu companheiro atual. Pois ele tem curso e eu piso no seu pé. Foi hilária nossa tentativa de começar a fazer dança de salão. Eu definitivamente não tenho coordenação motora para tanto.
Talvez eu até soubesse dançar um pouco, mas fui endurecendo as pernas, como se isso fizesse parte da (re)construção da vida adulta.
“Rígida!” Foi com essa palavra que minha psicóloga me definiu esta última semana. Achei super pertinente e fiquei pensativa: “Por que mesmo eu nunca tinha me definido assim?”.
Essa palavra não cabe nos pés da bailarina, mas quem sabe poderia caber nos pés de uma mulher comum que resolveu que precisava se desafiar. Como quando resolvi que escreveria para que outras pessoas me lessem.
Não vou me matricular na aula de balé, porque “tutu” não combina comigo. Mas estive pensando em começar a dançar. Não o tipo de dança que você deve estar imaginando. Mas quem sabe curtir uma música com letras bobas e mexer um pouco o quadril.
Eu já devia ter começado a mexer meu quadril, foi indicação da fisioterapeuta pélvica. Acho que ela e minha psicóloga devem trocar figurinhas sobre meu caso e toda a minha rigidez. Engraçado, logo eu que me acho flexível! Talvez a gente possa ser as duas coisas! Será? Acho que precisamos é tomar mais cuidado com as palavras que usamos.
Rígido seria o oposto de flexível, mas...
Flexível (definições segundo dicionário on line de português): Que se consegue curvar ou dobrar facilmente (não sou). Que demonstra agilidade (sim, essa sou eu). Domável (não sou) Que se adapta com facilidade aos acontecimentos (sim, essa sou eu)
Aproveitando o tema, vou indicar um livro que eu achei incrível da escritora norte-americana, Alison Espach. Romance vencedor de Melhor Ficção no GoodReads Choice Awards 2024 que mistura drama e humor ácido em uma história de desconstrução e reconstrução de vidas e expectativas. Uma mulher já madura percebendo que precisa rever aquilo que achou que sua vida era pra se reconhecer na nova adulta que está se tornando e muito mais. Trata muito sobre o assunto que escrevi aqui.
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