Falhas no fornecimento de energia e reajuste da tarifa da Copel motivam pedidos de investigação
Representações foram encaminhadas pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) ao Ministério Público estadual (MPPR) e ao Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU).
Foto: Copel/Divulgação
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) encaminhou representações ao Ministério Público do Paraná (MPPR) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) solicitando a apuração de problemas relacionados ao fornecimento de energia elétrica no meio rural e ao recente reajuste tarifário aplicado pela Copel. A entidade alega que produtores rurais têm enfrentado prejuízos significativos devido às frequentes interrupções e oscilações no serviço.
No documento encaminhado ao MPPR, o Sistema FAEP solicita a abertura de um inquérito civil para investigar a qualidade do fornecimento de energia nas áreas rurais do Estado. Entre os pontos levantados estão as quedas recorrentes de energia, oscilações de tensão, interrupções prolongadas e a demora no restabelecimento do serviço. A entidade também pede que sejam solicitadas informações técnicas à concessionária para avaliar o desempenho da distribuição de energia no campo.
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, sindicatos rurais e produtores vêm relatando há anos problemas que afetam diretamente a produção agropecuária. “As quedas e oscilações interrompem a produção dentro da porteira e, como consequência, há mortes de animais, queima de equipamentos e prejuízos irreparáveis.”
Entre os casos citados pela entidade está o de um piscicultor de Tupãssi, no Oeste do Paraná, que registrou prejuízo estimado em R$ 9 milhões após a morte de cerca de 900 mil quilos de tilápia. Conforme o relato, oscilações na rede elétrica teriam provocado a queima dos aeradores responsáveis pela oxigenação dos tanques.
Outro episódio ocorreu em São Miguel do Iguaçu, onde a falta de energia resultou na morte de aproximadamente 20 mil frangos, causando perdas de cerca de R$ 150 mil a uma família de produtores.
Além da representação estadual, o Sistema FAEP também levou a discussão ao âmbito federal. O pedido encaminhado ao Ministério Público junto ao TCU questiona a revisão tarifária aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para 2026. A entidade solicita que sejam analisados os critérios que fundamentaram o reajuste de 20,51% na conta de luz, em vigor desde 24 de junho, e se os investimentos considerados na composição da tarifa refletem a qualidade dos serviços prestados aos consumidores.
O tema vem sendo debatido pela entidade ao longo do ano em reuniões e audiências públicas. Em abril, representantes do Sistema FAEP participaram de uma audiência promovida pela Aneel, em Curitiba, para discutir a revisão tarifária. Em maio, a entidade também esteve presente em uma audiência realizada no Senado Federal, em Brasília, para tratar dos impactos do reajuste e da qualidade do fornecimento de energia no Paraná.
De acordo com o Sistema FAEP, a estabilidade da rede elétrica é essencial para diversas cadeias produtivas do agronegócio paranaense, especialmente em setores como avicultura, piscicultura e produção de tabaco. A energia é utilizada em sistemas de ventilação, climatização, alimentação automatizada, bombeamento de água e conservação da produção, tornando o serviço indispensável para o funcionamento das propriedades rurais.
A entidade defende que os órgãos competentes apurem tanto as falhas apontadas pelos produtores quanto os critérios utilizados para o reajuste tarifário. O objetivo, segundo a FAEP, é garantir melhorias na qualidade do fornecimento de energia e maior transparência na definição dos valores cobrados dos consumidores rurais.
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