Foto: Robson Komochena
O Hospital Bom Jesus (HBJ), de Rio Negro, emitiu um alerta após identificar que um número de WhatsApp estaria utilizando indevidamente o nome, a identidade visual e informações da instituição para realizar contatos em seu nome. Entre as abordagens estão supostas oportunidades de emprego e procedimentos de contratação.
Documentos e mensagens obtidos pelo Riomafra Mix mostram que a situação foi além de uma simples oferta de vaga. Em um dos casos, duas mulheres, mãe e filha, receberam documentos de suposta contratação e orientações para realização de exames admissionais, além de mensagens de uma pessoa que se apresentava como integrante do setor de Recursos Humanos do hospital.
O caso também aparece em um boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil de Santa Catarina. No documento, uma das mulheres relata uma situação de perseguição e afirma que, após procurar o verdadeiro RH do Hospital Bom Jesus, constatou que documentos e mensagens relacionados à suposta contratação eram falsos.
Supostas vagas para mãe e filha
Entre os documentos estão papéis com a identidade visual e informações institucionais do Hospital Bom Jesus.
Um deles indicava que uma das mulheres seria contratada para atuar como técnica de enfermagem, em escala noturna de 12 por 36 horas. Outro apresentava a filha dela como suposta contratada para trabalhar na recepção, também no período noturno.
Os documentos apresentam informações como CNPJ, endereço e telefone do hospital e atribuem os procedimentos ao setor de Recursos Humanos, elementos que poderiam dar aparência de autenticidade ao processo.
Conforme o boletim de ocorrência, um homem que trabalhava no mesmo local que uma das mulheres afirmou que conhecia pessoas que poderiam ajudá-las a conseguir uma vaga no Hospital Bom Jesus. Posteriormente, ele entregou um pré-contrato relacionado à instituição.
Mensagens simulavam processo de contratação
Prints aos quais o Riomafra Mix teve acesso mostram um contato identificado no WhatsApp como “Sociedade Bom Jesus”, utilizando inclusive a logomarca da instituição.
Em uma das mensagens, o interlocutor se apresenta como analista de Recursos Humanos do Hospital Bom Jesus e afirma ter entrado em contato com a filha da mulher devido a uma vaga para “contratação imediata”.
Na sequência, propõe que mãe e filha compareçam juntas para realizar procedimentos relacionados à admissão.
As mensagens mencionam definição de horário, escala, setor e equipe, além de integração das supostas novas funcionárias.
Exame admissional chegou a ser marcado
A abordagem avançou para uma etapa ainda mais detalhada.
Em outra mensagem, o suposto RH informa data e local para realização de exames. Uma das mulheres deveria realizar coleta de sangue e exame admissional em Rio Negro.
O texto apresenta informações sobre horário de atendimento, tipo de exame e local da consulta e chega a citar a Norma Regulamentadora nº 7 (NR-07) e o artigo 482 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
A mensagem ainda afirma que a não realização do exame dentro do prazo poderia resultar em “ato de insubordinação”.
Em seguida, o interlocutor pede que a mensagem seja apresentada no momento da coleta dos exames.
Contato dizia que receberia as mulheres no próprio hospital
As conversas mostram ainda que o responsável pelo contato tentou justificar uma suposta demora na contratação.
Em uma das mensagens, ele afirma que os procedimentos dependeriam da Prefeitura de Rio Negro, citada no texto como interventora da instituição, e que seria necessária a liberação de documentação para efetivar as contratações.
Depois, o interlocutor pergunta se poderia receber pessoalmente as duas mulheres no setor de Recursos Humanos do próprio hospital.
A sequência das mensagens, portanto, simulava diferentes etapas de um processo de admissão: surgimento da vaga, encaminhamento de documentos, definição de função e escala, exames admissionais e comparecimento ao RH.
Caso começou com denúncia de perseguição
O episódio das falsas contratações aparece dentro de uma ocorrência mais ampla.
No boletim registrado na Polícia Civil, uma das mulheres relata que era perseguida por um homem que trabalhava no mesmo local que ela.
Segundo a vítima, inicialmente ele teria demonstrado interesse pessoal e passado a adotar comportamentos insistentes.
Ela relatou à polícia atitudes como envio de flores, colocação de presentes em seus pertences e comparecimento ao local de trabalho em horários diferentes daqueles em que deveria estar trabalhando.
Ainda conforme a versão registrada no BO, a mulher informou ao homem que queria apenas amizade e pediu que as atitudes cessassem. A situação, entretanto, teria continuado.
Foi nesse contexto que teria surgido a possibilidade de contratação no Hospital Bom Jesus.
Segundo o boletim, o homem teria interferido em um possível encaminhamento profissional e afirmado conhecer pessoas que poderiam ajudar mãe e filha a conseguirem trabalho no hospital de Rio Negro.
Hospital confirma que contato não é oficial
O Hospital Bom Jesus tornou público um comunicado alertando a população para a utilização indevida de seu nome e identidade visual.
Segundo o HBJ, o número (47) 98846-5044 não pertence e não representa a instituição.
O hospital afirma que o contato vem se apresentando como se fosse um canal oficial e realizando comunicações em seu nome, inclusive relacionadas a supostas oportunidades de emprego, recrutamento, contratação e procedimentos admissionais.
A instituição reforçou que mensagens, documentos, propostas de emprego, convocações ou orientações encaminhadas pelo número não devem ser consideradas oficiais.
O HBJ também orienta que pessoas que recebam contatos envolvendo processos seletivos, propostas de emprego, envio de documentos pessoais, exames admissionais ou contratação confirmem a autenticidade diretamente com o hospital.
A recomendação é não fornecer documentos pessoais, dados bancários ou outras informações particulares ao contato apontado como não oficial.
O hospital informou ainda que os fatos já foram formalmente comunicados às autoridades competentes, para adoção das providências cabíveis.
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