
Um comerciante de veículos de Mafra está há mais de um mês enfrentando transtornos e ameaças após ter a identidade de sua loja usada em golpes aplicados pela internet.
Segundo o empresário Jociel Hau, golpistas copiaram fotos, endereço e até o cartão CNPJ da empresa, criando páginas falsas no Instagram, Facebook e no Google Maps. Nessas plataformas, eles oferecem veículos por preços muito abaixo do mercado e orientam as vítimas a fazer pagamentos via Pix.
Os criminosos anunciam carros com valores irreais, como um VW/Gol de R$ 30 mil ofertado por R$ 11 mil. Em alguns casos, pedem depósitos de entrada, de R$ 1 mil a R$ 2 mil. Em outros, convencem as vítimas a pagar o valor integral, prometendo descontos ainda maiores.
Para dar credibilidade, os golpistas utilizam dados da empresa verdadeira e chegam a exigir documentos como RG e CNH, além de enviar a foto de um suposto vendedor, que pode ser também uma vítima que teve seus dados roubados.
O comerciante relata que sua rotina virou um “inferno” desde o início de agosto. Ele afirma que está há semanas sem conseguir trabalhar, já que passa os dias atendendo telefonemas ou registrando boletins de ocorrência.
“Esses carros anunciados por eles nunca foram meus. Nunca foram. Os golpistas usam até meu cartão CNPJ. Semana passada recebi ligação de um número com prefixo 71 dizendo que iam ‘por fogo’ na minha loja”, contou Jociel.
De acordo com o lojista, de cinco a oito pessoas chegam todos os dias na loja em busca dos carros inexistentes. Muitas delas, que vieram de cidades como Joinville, Curitiba, Itapoá, Florianópolis e até do Rio Grande do Sul, já haviam transferido valores.
“Esses dias, um casal de Itajaí chegou aqui dizendo que tinha perdido dinheiro na suposta compra de um Gol prata. Vieram prontos para brigar. Eu mostrei os boletins de ocorrência, mas as pessoas muitas vezes acham que eu estou junto no golpe. Minha mulher nem quer sair de casa mais, com medo”, relatou.
O que diz a Polícia Civil O delegado Wagner Meirelles, da Delegacia da Comarca de Mafra, explicou que a apuração do crime de estelionato depende de representação das vítimas.
“Na situação de golpistas se passarem por um estabelecimento comercial para induzir consumidores a depositarem valores via Pix sob falsa promessa de venda de veículos, é possível que tanto o comerciante lesado quanto as pessoas que realizaram transferências compareçam à Delegacia para registrar a ocorrência. Com esses registros, será possível reunir provas e adotar as medidas legais cabíveis para identificar e responsabilizar os autores”, destacou o delegado.
Até o momento, segundo o comerciante, mais de dez boletins de ocorrência já foram registrados, mas as páginas falsas seguem ativas.
Ele ainda teme que a cada anúncio verdadeiro de seus veículos as imagens sejam copiadas e usadas nos golpes.
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