Evento cultural em que o produtor Jovem $osa participou. Foto: Divulgação
A falta de diversidade cultural na região do Planalto Norte é uma realidade frequentemente apontada por artistas independentes e pessoas ligadas ao setor cultural. Em muitos eventos promovidos por prefeituras, entidades e organizadores locais, a programação costuma priorizar atrações ligadas ao sertanejo e à música tradicional, deixando pouco espaço para manifestações como batalhas de rima, dança urbana, grafite e produções ligadas ao movimento hip-hop.
Nesse contexto, o rap aparece como uma das expressões culturais que ainda enfrenta resistência, mesmo com o crescimento do gênero entre o público jovem. O estilo se desenvolveu dentro do movimento hip-hop, surgido nos bairros periféricos de Nova York, nos Estados Unidos, durante a década de 1970, como uma forma de expressão social e artística.
Para o produtor musical Jovem $osa, a falta de incentivo e espaço para artistas de gêneros alternativos ainda é um dos principais desafios enfrentados na região. “Falta muita estrutura de entretenimento relacionada à cultura, não somente do rap. Depois que publiquei um vídeo falando sobre preconceito cultural e falta de oportunidade, muitas pessoas entraram em contato dizendo que também se sentem incluídas nessa causa”, comenta.
Natural de Papanduva, o jovem de 22 anos atua como produtor musical e é proprietário de uma gravadora independente. Segundo ele, a exclusão de artistas locais fora do circuito considerado “convencional” ainda é frequente.
“Temos DJs daqui que já estiveram entre os mais escutados do Brasil e, mesmo assim, nunca são chamados para tocar em festas locais. Falta comprometimento em abrir espaço para eventos ligados ao rap e outros segmentos além dos que já são tradicionais na região”, afirma.
Além das dificuldades para conquistar espaço em eventos públicos e privados, Jovem $osa também aponta a ausência de estruturas voltadas à realização de atividades culturais alternativas na região. Para o produtor, faltam locais adequados para batalhas de rima, apresentações de DJs, eventos de dança urbana e festivais voltados ao público jovem.
De acordo com o artista, comentários depreciativos nas redes sociais são comuns, e muitos artistas independentes convivem diariamente com julgamentos relacionados à forma como a cultura periférica é vista. “Não gostar de um gênero musical é uma opinião pessoal, mas menosprezar sem conhecer é preconceito cultural. O rap não é música de marginal. É uma ferramenta de expressão, conscientização e transformação social”, destaca.
Apesar das dificuldades, iniciativas independentes seguem acontecendo. O produtor afirma já ter organizado mais de cinco eventos culturais em Papanduva voltados à valorização do hip-hop e da cultura urbana. Para ele, no entanto, o fortalecimento dessas ações também depende de incentivo público e maior participação dos municípios.
“São eventos para jovens, crianças e adultos da região. Existe público e existem artistas. O que falta é apoio, investimento e espaço para que essas manifestações culturais também façam parte da agenda oficial dos municípios”, conclui.
0 Comentários
Fazer loginOs comentários são de responsabilidade de seus autores. Ao comentar, o usuário declara estar de acordo com nossa Política de Privacidade e Termos de Uso. Faça login para participar da discussão.
Faça login para participar da discussão sobre essa matéria.
Fazer login para comentar
