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domingo, 27 de setembro de 2026
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Família denuncia atendimento na UPA de Mafra: “Trataram um AVC como labirintite”

Segundo a família, o paciente foi liberado mesmo apresentando sintomas do AVC que, dias depois, provocou sua morte. Secretaria de Saúde e UPA afirmaram que o caso será apurado.

10 de julho de 2026 · 22:48 · Atualizada em 10 de julho de 2026 · 23:10 · 5 min de leitura · Mafra

Foto: Robson Komochena

 

A morte do ajudante de pedreiro Maurício Kojikovski, de 49 anos, após procurar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Mafra, levou a família a questionar a assistência prestada ao paciente.

 

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Segundo os familiares, ele recebeu alta médica mesmo apresentando sintomas que, posteriormente, culminaram em uma internação em estado grave. Maurício morreu no dia 2 de julho, e o caso passou a ser apurado pela Secretaria de Saúde e pela direção da UPA após ser levado à imprensa.

 

Maurício, que trabalhava como ajudante de pedreiro, deu entrada na UPA na tarde do dia 24 de junho, apresentando dormência em uma das mãos, dor de cabeça, tontura e dificuldade para caminhar.

 

Ao Riomafra Mix, a irmã dele, Mariléia Kojikovski, contou que a família passou a suspeitar de um possível AVC porque os sintomas eram muito parecidos com os de outro irmão, que morreu em decorrência do mesmo problema.

 

A receita entregue ao paciente continha Dramin B6, indicado para tonturas, náuseas e vômitos, e Dipirona, para alívio da dor. Foto: Divulgação

 

“Quando eu falei para a primeira médica que eu já tinha perdido um irmão por AVC e que os sintomas eram muito parecidos, ela disse que poderia ser, mas que iria tratar primeiro como uma labirintite”, contou.

 

Segundo Mariléia, Maurício recebeu medicação e permaneceu em observação. Após o tratamento inicial, a médica pediu que ele caminhasse pelo corredor da unidade, mas ele continuava apresentando dificuldades para andar. “Ela pediu para ele andar pelo corredor, mas ele continuava trombando as pernas. Foi aí que disse que não dava para mandar ele embora e que iria solicitar uma tomografia”.

 

Ainda conforme a irmã, a médica informou que o exame dependeria da disponibilidade do hospital e que poderia demorar. Acreditando que o irmão permaneceria em observação durante a noite, ela deixou a unidade para buscar roupas e cobertas.

 

Maurício Kojikovski, de 49 anos, morreu no dia 2 de julho. Foto: Divulgação

 

Ao retornar, por volta das 19h30, encontrou Maurício já com alta médica após a troca de plantão. “Quando eu voltei, ele já estava sentado na cama com a receita na mão. A outra médica tinha dado alta”, contou.

 

Mariléia afirma que questionou a médica responsável pelo novo plantão sobre a possibilidade de AVC. “Eu perguntei se não poderia ser um AVC. Ela respondeu que descartava essa possibilidade e que poderia ser apenas uma cefaleia, porque ele trabalhava no sol”.

 

Segundo a família, Maurício recebeu prescrição de Dipirona e Dramin e deixou a unidade sem realizar a tomografia.Mesmo após a alta, o paciente, segundo a irmã, continuava apresentando dificuldades para caminhar.

 

“Quando ele levantou da cama, já deu outra tonteada. Na recepção aconteceu de novo. Mesmo assim, nós confiamos no que a médica falou e fomos para casa”, detalhou.

 

Ao chegarem à residência da mãe, a situação piorou. “Quando chegamos em casa, não conseguimos mais tirar ele do carro. As pernas não obedeciam mais e ele já estava com muita dificuldade para falar”.

 

O Corpo de Bombeiros foi acionado e encaminhou Maurício diretamente ao hospital. “Eu pedi para os bombeiros não levarem ele de volta para a UPA. Passei a tarde inteira lá e achei que não resolveria mais”, disse.

 

Maurício permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por aproximadamente uma semana. Ele morreu no dia 2 de julho e foi sepultado no dia seguinte

 

Solteiro e sem filhos, Maurício morava na localidade de São Lourenço e trabalhava como ajudante de pedreiro.

 

“Meu irmão não volta mais. O que eu quero é que isso não aconteça com outras famílias”, concluiu a irmã.

 

O que diz a Prefeitura?

Em nota, a Secretaria de Saúde de Mafra informou que ainda não recebeu comunicação oficial sobre o caso envolvendo o atendimento prestado ao paciente.

 

Apesar disso, afirmou que irá apurar internamente a conduta adotada pelo profissional envolvido e destacou que o caso será analisado com responsabilidade, imparcialidade e respeito ao devido processo.

 

Veja o texto na íntegra:

 

“A Secretaria Municipal de Saúde informa que, até o momento, não recebeu nenhuma comunicação pelos canais oficiais sobre o caso divulgado, de modo que ainda não possui conhecimento formal dos fatos.

 

No entanto, diante da gravidade da situação, a Secretaria entende ser seu dever apurar internamente a conduta adotada pelo profissional envolvido, realizando uma avaliação criteriosa dos procedimentos realizados, sempre com responsabilidade, imparcialidade e respeito ao devido processo.

 

Neste momento, não é possível divulgar informações relacionadas ao atendimento prestado ou ao quadro clínico do paciente, uma vez que tais dados são protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e pelo dever de sigilo profissional, garantias que devem ser observadas em qualquer circunstância.

 

A Secretaria Municipal de Saúde acompanha o caso com a seriedade que ele exige e reafirma seu compromisso com uma apuração responsável, pautada na ética, na transparência e no respeito à população”, concluiu a nota.

 

O que diz a UPA?

Também em nota, o gestor da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Carlos Augusto de Oliveira, lamentou a morte do paciente e manifestou solidariedade aos familiares.

 

Segundo ele, a unidade tomou conhecimento do caso por meio do contato da imprensa e adotará as providências administrativas necessárias para realizar uma análise técnica do atendimento prestado.

 

Leia a nota completa:

 

“A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Mafra manifesta solidariedade aos familiares do paciente neste momento de luto e lamenta profundamente o falecimento noticiado.

 

A direção da UPA tomou conhecimento do caso por meio da demanda encaminhada pela imprensa nesta data.

 

Em respeito ao sigilo médico e à legislação aplicável, a instituição não pode divulgar informações relacionadas ao prontuário, ao atendimento prestado ou às condutas médicas eventualmente adotadas.

 

Diante das informações recebidas, a direção da unidade adotará as providências administrativas cabíveis para reunir os elementos necessários à análise técnica do atendimento realizado, mediante avaliação do prontuário e dos demais registros assistenciais, sem qualquer conclusão antecipada acerca da atuação dos profissionais envolvidos.

 

A UPA ressalta que toda avaliação sobre a adequação da assistência prestada deve considerar exclusivamente os dados clínicos registrados no momento do atendimento, sendo incompatível com uma análise técnica responsável a emissão de juízos de valor baseados apenas em informações parciais ou relatos posteriores.

 

A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos que venham a ser solicitados, reafirmando seu compromisso com a ética, a segurança do paciente, a qualidade da assistência e a transparência na condução de situações que demandem apuração”.

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