Ferrovia entre Mafra e São Francisco do Sul entra no centro de disputa entre estados e Governo Federal
Governadores de SC, PR, RS e MS criticam proposta de divisão da Malha Sul e defendem concessão única para preservar integração logística.
Foto: Instagram Ferrovia Riomafra/Divulgação
A ferrovia que liga Mafra ao Porto de São Francisco do Sul entrou no centro de um impasse entre os estados do Sul e o Governo Federal sobre o futuro da Malha Sul ferroviária.
Os governadores dos estados que integram o Codesul enviaram um documento ao Ministério dos Transportes manifestando posição contrária ao projeto federal que prevê a divisão da atual malha ferroviária em diferentes lotes de concessão.
Atualmente, a linha entre Mafra e São Francisco do Sul é a única ferrovia em operação da Malha Sul em Santa Catarina e tem papel estratégico no transporte de grãos destinados à exportação pelo porto do Norte catarinense.
A proposta do Ministério dos Transportes prevê que a atual Malha Sul seja dividida em três corredores diferentes: Corredor PR/SC, Corredor Mercosul e Corredor Rio Grande. Os leilões estão previstos para ocorrer até o fim de 2026.
No documento encaminhado ao Governo Federal, os estados afirmam que o modelo de fragmentação “não contempla as necessidades de integração logística e de desenvolvimento regional” da região Sul.
Além do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, o posicionamento é assinado pelos governadores Ratinho Junior, do Paraná; Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul e Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul, e também representantes de federações da indústria, agricultura, cooperativas e associações empresariais dos quatro estados.
Os governadores também criticam a falta de participação dos estados nas discussões sobre a nova concessão ferroviária. Segundo o ofício, os estudos técnicos elaborados pela Infra S.A., estatal vinculada ao Ministério dos Transportes, não foram compartilhados com os governos estaduais.
No texto, o Codesul afirma haver “inconformidade” com a condução do processo e diz que os estados vêm sendo mantidos “à margem das decisões estruturantes” relacionadas à futura concessão.
Outro ponto destacado no documento é a situação atual da infraestrutura ferroviária. Os estados citam trechos desativados, degradação da malha e perda de capacidade operacional acumuladas ao longo da atual concessão.
Para o grupo, a nova modelagem deve preservar a lógica de uma rede integrada, conectando os estados do Sul aos portos, centros produtivos e mercados consumidores.
Entre as propostas apresentadas pelos estados estão:
- Concessão da Malha Sul em bloco único, sem divisão em lotes;
- Recuperação de trechos ferroviários abandonados ou degradados;
- Garantia de continuidade das operações durante a transição contratual;
- Acesso dos estados aos estudos técnicos da nova modelagem.
O atual contrato da Malha Sul se encerra em fevereiro de 2027. Mesmo com os leilões previstos para 2026, o Governo Federal já trabalha com a possibilidade de uma prorrogação temporária da concessão atual por até dois anos.
Os estados informaram ainda que irão contratar um estudo técnico complementar para apresentar alternativas ao modelo proposto pelo Ministério dos Transportes.
Veja a divisão da Malha Sul para futuros leilões
Corredor Paraná-Santa Catarina
Corredor Mercosul
Corredor Rio Grande do Sul
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