
Um requerimento apresentado na Câmara de Vereadores gerou debate e aqueceu os ânimos na sessão desta terça-feira (8), em Rio Negro.
O documento, assinado por Geovane de Lima (Podemos), Odair Pereira (PL) e Neusa Swarowski (Cidadania), solicita ao Executivo esclarecimentos sobre a realização de uma festa julina institucional, promovida no Paço Municipal durante o expediente do dia 4 de julho, com participação de servidores públicos e estrutura temática.
O requerimento questiona data, horário, uso de recursos públicos, impacto no atendimento da população e a base legal para a realização do evento em horário de trabalho.
Foram quatro votos favoráveis e quatro contrários. Votaram a favor os vereadores Geovane de Lima (Podemos), Rogélia Kulka (Republicanos), Luiz Felipe Stafin (PSB) e Milene Torres Gonçalves Stall (PSB). Contra o requerimento, votaram os vereadores Élcio Colaço (PSD), João Alves (PP), Maria Célia Conte (União) e Francisco Veiga (PRD).
Com o empate, foi necessária a manifestação do presidente da Casa, vereador Odair Pereira (PL), que votou a favor, garantindo a aprovação do pedido de informações. Foi a primeira vez nesta legislatura que um requerimento precisou de voto de desempate.
Os vereadores Neusa Swarowski (Cidadania) e Landivo Gruber (PSD) não estavam na sessão.
Debate acirrado Durante os debates, o vereador Geovane defendeu que eventos devam acontecer fora do expediente. “O que mais nos causa estranhamento é ouvir de alguns colegas que ‘sempre foi assim’. Precisamos lembrar que estamos falando de serviço público, de atendimento à população. Eu também sou empresário e, se for realizar uma confraternização com minha equipe, faço isso fora do expediente. Tenho clientes para atender, assim como o município tem cidadãos que dependem do funcionamento da Prefeitura”, argumentou. O vereador também sugeriu: “Por que não marcar para o fim do expediente? Às 16h30 ou 17 horas? Festas e confraternizações são importantes, claro, mas a prioridade deve ser sempre o atendimento à população”, disse.
A vereadora Milene reforçou a necessidade de transparência. “Se esse requerimento entrou em pauta, é porque houve muitas reclamações, até de funcionários da própria Prefeitura, que não foram convidados e nem souberam da festa. A gente está aqui representando o povo. Não é nada pessoal. É o que as pessoas vieram nos falar, indignadas com o horário e com a falta de informação.”
Por outro lado, o vereador Élcio Colaço minimizou a situação. “O presidente da Associação dos Servidores Públicos Municipais de Rio Negro (Asserine), que é meu vizinho, me contou que foi ele quem organizou a confraternização dos servidores como forma de despedida, já que se aposentou no fim do mês. Confraternizações como essa sempre ocorreram. Talvez o que mereça atenção seja o horário escolhido, realmente poderia ter sido no fim do expediente. Mas, sinceramente, não vejo motivo para tanto alarde. Foi uma atividade simples, tradicional entre os servidores, e nem foi promovida diretamente pela Prefeitura. Por isso, acredito que não há razão para transformar isso em uma polêmica maior”, defendeu.
A líder de governo, Maria Célia, também saiu em defesa do evento. “A Asserine tradicionalmente promove esse tipo de homenagem e confraternização. Talvez o mais adequado fosse convidar a própria entidade para esclarecer os detalhes. Fui atrás de informações e me foi relatado que cada servidor, dentro da sua secretaria, pôde participar por no máximo 15 minutos, em sistema de revezamento. Ou seja, o atendimento ao público não foi interrompido”, justificou.
Geovane pediu novamente a palavra para rebater. “Não estamos falando para não fazer a festa, pode fazer a festa. Tem que fazer. O ambiente fica melhor, porém por se tratar de um órgão público, no meu estabelecimento, eu posso fazer no teu, vereadora Maria Célia, você pode fazer, porque lá é privado. Nós temos que parar de achar que o público é igual ao privado, não é. Eu entrei para ser vereador para fazer diferença. Se for para fazer tudo igual antes, paremos, eu tenho quatro anos aqui para mostrar a diferença. Só queremos a informação, só isso”, disse.
O presidente da Câmara, Odair Pereira (PL), reconheceu a situação inédita do debate, mas apoiou o requerimento. “Acho até meio engraçado a gente fazer um requerimento nesse sentido, mas fazer o quê? Muitas vezes nós fazemos vários requerimentos aqui nessa casa, mas é pedindo melhorias. E daí, hoje, apresentar um requerimento desse sobre essa festa que aconteceu, mas apoio o requerimento também. Gostaria de parabenizar os vereadores pela coragem de apresentar o requerimento”, disse.
Veja o requerimento
Assista a sessão na íntegra
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