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Golpe do falso advogado: criminosos usam nome de sindicato em fraudes contra servidores de Mafra

Estelionatários acessam processos públicos, se apresentam como advogados e pedem depósitos para liberar valores.

22 de agosto de 2025 · 12:02 · Atualizada em 22 de agosto de 2025 · 12:21 · 3 min de leitura

Conversa entre golpista e vítima. Imagem: Divulgação

Servidores públicos de Mafra estão entre as vítimas do chamado golpe do falso advogado, que tem se espalhado por Santa Catarina e atingiu também familiares de profissionais da cidade.

Em apenas um dia, a Delegacia da Polícia Civil registrou quatro boletins de ocorrência sobre a fraude, que já causou prejuízos de quase R$ 5 mil a uma servidora municipal.

De acordo com os relatos, os golpistas entram em contato pelo WhatsApp se passando por advogados do escritório Alves & Flores, que presta serviços jurídicos ao Sindicato dos Servidores Públicos (Sindiserv). Nas mensagens, os criminosos dizem que o servidor teria valores de ações judiciais para receber, mas que seria necessário pagar “custas cartorárias” para a liberação.

Em um dos casos, a vítima realizou um Pix de R$ 4.997,30 acreditando que se tratava de uma taxa obrigatória. Na sequência, os estelionatários solicitaram ainda mais R$ 28 mil, mas o golpe foi interrompido quando o filho chegou a tempo de impedir que ela aumentasse o limite de transferência no banco, evitando um prejuízo maior.

O advogado Luiz Fernando Flores Filho contou que até mesmo a própria esposa foi alvo dos criminosos, que usaram indevidamente seu nome e a foto de familiares para aplicar o golpe. “Até para a esposa do advogado se fizeram passar por ele. É o cúmulo. Já utilizaram imagens do meu filho, da minha esposa e até do meu neto”, relatou.

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Segundo ele, além de servidores, o nome do escritório vem sendo utilizado indevidamente pelos golpistas. “Estamos acompanhando cada vítima que registrou boletim de ocorrência e prestando todo o apoio necessário. É importante que os servidores saibam que não estamos envolvidos e que também somos vítimas dessa fraude”, destacou.

Protocolo de proteção Para reforçar a prevenção, o escritório divulgou um protocolo de segurança com orientações aos servidores. Entre as regras, está a de nunca responder mensagens que não venham diretamente do sindicato, não fornecer dados bancários fora dos canais oficiais e, em caso de dúvida, procurar pessoalmente o sindicato.

A advogada Jady Adria Alves reforça que os servidores não devem realizar nenhum tipo de pagamento solicitado por WhatsApp. “Custas processuais e taxas oficiais só são pagas por guias emitidas pelo próprio Judiciário. Qualquer solicitação diferente disso é golpe”, alertou.

O golpe em detalhes Segundo a OAB/SC, o golpe segue um roteiro quase sempre idêntico. Tudo começa com um número de telefone desconhecido, mas cuja foto de perfil e nome simulam um escritório de advocacia, em alguns casos, até a imagem do próprio advogado (também vítima) é usada indevidamente.

Os criminosos vasculham sites de Tribunais de Justiça em busca de processos públicos, identificando clientes que têm valores a receber. Com esses dados em mãos, entram em contato utilizando jargões jurídicos e narrativas convincentes, fingindo ser os advogados originais ou seus representantes. Frases como “melhoramos nossa estrutura, este é o novo número” ou “nossa secretária entrará em contato sobre seu processo” são comuns para justificar a mudança de contato.

Para dar veracidade, são encaminhados documentos falsificados, contendo: - Brasões da República e timbres oficiais de Tribunais; - Cópias forjadas de sentenças ou despachos judiciais; - Tabelas de cálculos supostamente feitas por peritos; - Ofícios de liberação de valores assinados por juízes ou servidores — muitas vezes reais, mas com identidades indevidamente utilizadas.

“O enredo leva, inevitavelmente, à cobrança de uma ‘taxa’ inesperada para liberar valores que o cliente aguarda. A urgência é sempre enfatizada: os golpistas alegam que, sem pagamento imediato, os valores seriam bloqueados ou retornariam aos cofres públicos. O dinheiro é solicitado via Pix ou depósito bancário para contas de terceiros, geralmente pessoas físicas ou empresas de fachada. Após a transação, o contato é interrompido e a vítima é bloqueada”, detalhou a OAB/SC.

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