Fotos: Divulgação
Quase 2,8 mil quilômetros. Essa é a distância que já foi percorrida a pé em 2026 por um corredor de Rio Negro. Para dimensionar o número, os 2.793,2 quilômetros acumulados até esta segunda-feira, 10 de agosto, quase equivalem a uma viagem de ida e volta entre Rio Negro e Brasília, a pé.
Por trás dos números está Werner Arthur Schelbauer, de 34 anos, corredor rionegrense e auxiliar administrativo em um auto center. Em 1º de janeiro, Werner iniciou um desafio: correr pelo menos 10 quilômetros em todos os 365 dias de 2026.
Até agora, são 222 dias consecutivos de corrida. O atleta já correu 281 horas e 10 minutos, o equivalente a 11 dias, 17 horas e 10 minutos correndo.
Werner com seu filho na Maratona de Floripa
Para conseguir cumprir a meta, Werner precisou encontrar uma forma de encaixar a corrida na rotina. O melhor horário, segundo ele, foi antes das 6 horas da manhã, antes do trabalho e dos demais compromissos.
“Não posso largar tudo para viver desse desafio, tenho que seguir a vida em família e no trabalho. Para isso, o melhor momento para mim foi antes das 6 da manhã. E por isso a escolha de 10 km também, pois sabia que, em média, gastaria uma hora para completar. Se fosse fazer mais quilometragem, precisaria de mais tempo, podendo assim comprometer o restante do dia”, explica.
Um dia de cada vez
Apesar de já ter ultrapassado a marca de 200 dias, Werner afirma que a dúvida sobre conseguir completar os 10 quilômetros aparece diariamente. Antes de sair, ele sabe que existem situações que não podem ser previstas, como uma falha no relógio, uma lesão ou algum outro imprevisto.
“Todos os dias, antes de sair, eu penso que pode ser que eu não consiga. A tensão passa no momento que verifico que o relógio marcou os 10 km. A meta está concluída e o que vier já é lucro”, conta.
O que o faz continuar
A decisão de correr todos os dias reúne diferentes motivos. “A disciplina de tentar concluir, a celebração por mais um dia poder fazer um exercício e celebrar a vida, a superação de, a cada dia, vencer”, afirma Werner.
Mas, segundo ele, existe também uma motivação que vai além da própria conquista: incentivar outras pessoas a se movimentarem.
“A motivação mais importante para mim é inserir mais pessoas para estarem em movimento. A pessoa pensar que, se eu consigo correr todo dia, por que ela não conseguiria fazer ao menos um dia.”
Depois de mais de sete meses, a motivação não diminuiu. Pelo contrário. Segundo ele, perceber tudo o que já foi superado aumenta a vontade de chegar ao fim.
Uma segunda tentativa
Os 222 dias consecutivos de 2026 também representam uma nova marca pessoal. No ano passado, Werner tentou cumprir o mesmo desafio e chegou a 125 dias seguidos de corrida.
A sequência, porém, foi interrompida após um problema na coluna. Na época, recebeu orientação médica de que, se continuasse, poderia comprometer seu futuro como atleta. Depois disso, precisou passar por uma cirurgia.
Em 2026, os dias mais difíceis foram justamente aqueles em que esteve doente. Segundo ele, foram poucos, mas exigiram esforço para encontrar uma maneira de cumprir a meta. “A motivação era driblar esses empecilhos e concluir de alguma forma”, explica.
O cansaço também faz parte da rotina. Quando ele aparece, Werner não tenta necessariamente manter o mesmo ritmo dos outros dias. A estratégia é reduzir a velocidade e continuar. “Cansaço sempre vai ter. A ideia é abaixar o ritmo e continuar mesmo assim”, afirma.
O limite entre insistir e respeitar o corpo
Com tantos dias consecutivos de corrida, entender os sinais físicos se tornou uma parte fundamental do desafio. Werner afirma que o corpo se adapta à rotina, mas isso não significa que seus limites possam ser ignorados.
“O corpo se acostuma com a pancada, só não pode subestimar ele, que pode ocorrer lesão. Correr todo dia requer entender o seu corpo”, alerta.
A maior batalha, no entanto, nem sempre é física. “A grande batalha é sempre com o mental, de pensar que no novo dia tem que ir novamente para completar o desafio diário. Mas a dica é não pensar muito, só ir mesmo”, explica o atleta.
De 10 a 80 quilômetros
Embora a meta estabeleça 10 quilômetros como mínimo diário, Werner já percorreu uma distância oito vezes maior em uma única corrida neste ano.
A maior marca de 2026 foi de 80 quilômetros, em uma ultramaratona. O percurso representa uma pequena parte dos 2.793,2 quilômetros já acumulados, mas mostra que a rotina construída ao longo do ano também inclui desafios muito acima da distância mínima.
Ainda assim, a regra permanece: no dia seguinte, é preciso correr novamente.
Reta final
Com 222 dias concluídos, Werner tem pela frente outros 143 dias até chegar ao fim do desafio.
A expectativa aumenta conforme a marca se aproxima, mas a principal preocupação continua sendo a saúde.
“A preocupação é sempre referente à saúde mesmo, se não vou ter alguma lesão ou algo nesse sentido. Acredito que, se não tiver esse problema, mentalmente eu consigo concluir o objetivo”, afirma.
Ao fim dos 365 dias, ele não descarta assumir uma nova meta. “Não sei se encerrarei. É algo que não avaliei ainda, mas talvez lance algum outro. Gosto muito de me desafiar”, afirma.
Por enquanto, o desafio continua sendo construído da mesma maneira que começou: um dia de cada vez, até 31 de dezembro.
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