Registro às 17h55 da rua Dr. Vicente Machado até a ponte Rodrigo Ajace. Foto: Reprodução/Guarda Patrimonial
O congestionamento registrado no fim da tarde desta quarta-feira (6), na ponte Dr. Rodrigo Ajace, voltou a evidenciar a fragilidade da ligação entre Mafra e Rio Negro.
O problema começou após vidros transportados por uma camionete de uma vidraçaria caírem na pista, na cabeceira da ponte, lado de Mafra. O problema mobilizou o Corpo de Bombeiros para limpeza da via e gerou provocando longas filas para quem vinha de Rio Negro.
Mais do que o transtorno causado pelo incidente, a situação reacendeu um debate antigo na região: a dependência quase total da ponte Dr. Rodrigo Ajace como principal ligação central entre as duas cidades. Em poucos minutos, o congestionamento tomou a rua Dr. Vicente Machado e alcançou a avenida Saturnino Olinto, já na altura do Campo do Gado, com motoristas relatando demora de cerca de uma hora em um trajeto normalmente feito em poucos minutos.
Incidente com caminhão carregado com vidros deixou carga espalhada na cabeceira da ponte. Foto: Divulgação/Redes sociais
A ocorrência voltou a expor um problema apontado há anos por moradores e lideranças locais: a falta de alternativas viárias eficientes entre Mafra e Rio Negro.
Apesar de ninguém ter ficado ferido, o episódio trouxe novamente à tona discussões sobre mobilidade urbana e a necessidade de uma nova ligação entre as cidades.
Foto: Divulgação/Redes sociais
Terceira ponte em discussão há mais de uma década
A necessidade de uma terceira ligação entre Mafra e Rio Negro é debatida há mais de 10 anos por autoridades, moradores e lideranças da região.
Em junho de 2012, uma audiência pública realizada no auditório da Prefeitura de Rio Negro reuniu representantes dos poderes Executivo e Legislativo dos dois municípios, além de integrantes do DNIT. Na ocasião, autoridades defenderam a construção de uma nova ponte sobre o Rio Negro como alternativa para melhorar a mobilidade entre as cidades.
Durante o encontro, o engenheiro João Alberto Sautchuk, representante do DNIT no Paraná à época, afirmou que o projeto tinha custo considerado viável para o órgão federal. Prefeitos e vereadores também destacaram a preocupação com o aumento do fluxo de veículos e as condições de trafegabilidade da ponte Dr. Rodrigo Ajace, que já concentrava praticamente toda a ligação central entre Mafra e Rio Negro.
Quatro anos depois, em julho de 2016, o debate voltou à pauta durante visita do então governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo a Mafra. Na ocasião, foi anunciado um contrato de R$ 4 milhões por meio do Badesc, sendo parte dos recursos destinada aos estudos para revitalização da antiga ponte férrea desativada entre os municípios.
O projeto previa transformar a estrutura ferroviária em uma nova ligação urbana, com trânsito em mão única no sentido Rio Negro-Mafra, além da passagem de pedestres. A proposta utilizaria a antiga ponte localizada próxima à oficina ferroviária no lado mafrense, com saída na região da Escola Tia Apolônia, em Rio Negro.
Apesar das audiências, anúncios e estudos discutidos ao longo dos anos, a terceira ponte ainda não saiu do papel.
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