
Os raros “orelhões” de Rio Negro, Mafra e Itaiópolis, ainda presentes apenas em comunidades do interior, estão com os dias contados.
Segundo informações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 2026 marca o fim dos telefones públicos no Brasil.
Durante décadas, esses equipamentos foram quase indispensáveis para a comunicação da população. Hoje, com a ampla cobertura da telefonia móvel, os raros orelhões que ainda permanecem nas ruas simbolizam uma fase que está chegando ao fim, acompanhando a retirada definitiva desse serviço em todo o país.
De acordo com a Anatel, ainda existem cerca de 38 mil aparelhos espalhados pelo Brasil. A maior concentração está em São Paulo, com quase 28 mil orelhões. Bahia e Maranhão também contam com mais de mil unidades cada. No Paraná, são 755 orelhões cadastrados, sendo apenas 209 ativos e 546 em manutenção. Já Santa Catarina aparece entre os estados com menor número, com 94 aparelhos restantes.
A retirada em massa ocorre após o fim das concessões das empresas responsáveis pela operação dos telefones públicos, Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica, que deixaram de ter obrigação legal de manter os equipamentos em funcionamento. A partir de janeiro, teve início o processo de remoção das carcaças e dos aparelhos inutilizados.
Apenas nas cidades sem cobertura de telefonia móvel os orelhões poderão ser mantidos até 2028.

Rio Negro, Mafra e Itaiópolis Em Rio Negro, conforme dados da Anatel, existem três aparelhos, todos em manutenção, localizados nas comunidades de Campina Bonita, Fazendinha e Laranjal.
Curiosamente, Mafra é o município catarinense com o maior número de telefones públicos ainda registrados, somando seis unidades. Desses, quatro estão ativos, nas localidades de Augusta Vitória, Butiá dos Tabordas, Campo São Lourenço e Saltinho do Canivete. Em manutenção aparecem os telefones públicos da Vila Souza e do General de Brito.
Em Itaiópolis, há um aparelho registrado na localidade de Rio da Estiva, classificado como ativo.
Já em Campo do Tenente, não há mais telefones públicos registrados.
Concessões terminaram em 2025 Os contratos de concessão que incluíam a manutenção dos orelhões foram firmados em 1998 e chegaram ao fim em dezembro de 2025.
A adaptação desses contratos, no formato de autorizações de serviço, prevê a extinção gradual dos telefones públicos dentro do plano de universalização do acesso à telefonia no país.
Segundo a Anatel, com a proximidade do término dos contratos, “tornou-se oportuna uma discussão mais ampla sobre o atual modelo de concessão, com o fim de buscar estimular os investimentos em redes de suporte à banda larga”.
Nesse cenário, as concessionárias buscaram celebrar acordos com a administração pública para viabilizar a adaptação da concessão do sistema de telefonia fixa (STFC) para a modalidade de autorização, regida pelo regime privado, informou a Agência.
A mudança de regime teve um fator adicional de complexidade: uma das maiores concessionárias, a Oi, enfrenta crise financeira desde 2016, com processo de falência em andamento.
Com informações da Anatel.
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