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domingo, 27 de setembro de 2026
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“Me chamavam de milagre”: policial sobrevive a infarto e parada cardíaca em Rio Negro

Recuperado e sem sequelas, terceiro-sargento faz agradecimento aos profissionais que participaram do socorro e reforça que, em uma emergência cardíaca, cada minuto pode fazer a diferença.

10 de agosto de 2026 · 11:02 · 7 min de leitura · Rio Negro

No dia 27 de julho de 2026, aniversário de 19 anos do filho Bruno, Paulo havia sido extubado poucos minutos antes. O jovem passou parte da data ao lado do pai na UTI. Fotos: Divulgação

 

O terceiro-sargento da Polícia Militar do Paraná, Paulo Edgar Ramos, de 49 anos, sobreviveu a um infarto seguido de uma parada cardiorrespiratória após ser atendido no Pronto Atendimento de Rio Negro.

 

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Segundo o policial, foram cerca de sete minutos em parada até que o coração voltasse a bater. Quatro dias depois, ele recebeu alta e, sem sequelas, decidiu contar a história para agradecer aos profissionais que participaram do atendimento.

 

Tudo começou na noite de 26 de julho, poucos minutos depois de chegar em casa após mais um dia de trabalho na Polícia Militar da Fazenda Rio Grande. Há 28 anos na corporação, o terceiro-sargento tirou a farda, tomou banho e se preparava para encerrar o dia quando uma dor mudou completamente aquela noite.

 

Após ser extubado, Paulo ainda precisava de oxigênio e não podia beber água. A irmã Dani molhava sua boca com algodão para aliviar o desconforto. Foto: Divulgação

 

Era por volta das 22 horas. Paulo estava no andar de cima da casa quando percebeu imediatamente que poderia estar sofrendo um infarto.

 

Ele gritou pela esposa, Jane. “Tira o carro da garagem rápido, que estou infartando.”

 

Ela não hesitou. Como a família mora a cerca de três quadras do Pronto Atendimento de Rio Negro, a chegada à unidade aconteceu rapidamente.

 

Depois de passar pelo cateterismo e pela angioplastia, Paulo recebeu alta da UTI e foi encaminhado para o quarto. Foto: Divulgação.

 

“Em menos de dois minutos, estávamos na frente do Pronto Atendimento. Desci do carro e avisei à equipe que estava tendo um infarto. Fui atendido imediatamente”, relembra.

 

A partir dali, Paulo se recorda de pouco. Já deitado para receber atendimento, o quadro se agravou e ele sofreu uma parada cardiorrespiratória.

 

No dia 30 de julho de 2026, quatro dias após sofrer o infarto, Paulo recebeu alta hospitalar. Foto: Divulgação.

 

“Eu logo apaguei. O médico foi fantástico. Começou a fazer a massagem, me deram choques com o desfibrilador, oxigênio, me intubaram e depois me removeram para a Santa Casa de Misericórdia”, contou.

 

Segundo Paulo, foram cerca de sete minutos em parada cardiorrespiratória. Na carta que escreveu depois da recuperação, ele relata que a equipe iniciou imediatamente a reanimação cardiopulmonar (RCP), utilizou o desfibrilador e realizou os procedimentos necessários até que o coração voltasse a bater.

 

No dia 31 de julho, já fora do hospital, Paulo registrou o retorno para casa ao lado da esposa, Jane, e do filho Bruno, encerrando uma semana marcada pelo susto, recuperação e reencontro com a família. Foto: Divulgação.

 

Depois de ser estabilizado e intubado, Paulo foi transferido em estado grave para a Santa Casa de Misericórdia. Lá, passou pela UTI, fez um cateterismo cardíaco de emergência e uma angioplastia.

 

Segundo o policial, o infarto atingiu a artéria descendente anterior, uma importante artéria do coração. Para explicar a dimensão do que havia acontecido, Paulo usa uma comparação simples.

 

“É como se fosse a avenida principal de Rio Negro e as outras artérias fossem as outras ruas. É uma artéria muito vital. É o que eles chamam de infarto fulminante. Por isso que é tão incrível a história”, relatou.

 

Na Santa Casa, a gravidade do caso e a recuperação passaram a chamar a atenção até mesmo dos profissionais que acompanhavam Paulo. “Os médicos da UTI me chamavam de milagre”, contou.

 

Quando fala sobre esse “milagre”, porém, Paulo imediatamente volta àqueles primeiros minutos dentro do Pronto Atendimento de Rio Negro.

 

“Eu atribuo esse milagre aos profissionais aqui da unidade de saúde de Rio Negro. Porque eu tive morte clínica por sete minutos. E, se não fossem eles agirem de maneira rápida, eu não estaria mandando esse áudio para você”, disse.

 

A recuperação também surpreendeu por outro motivo. “Nem sequelas ficaram em mim. Então foi muito, muito fantástico. A história é incrível”, afirma.

 

Na carta aberta escrita após deixar o hospital, Paulo faz questão de registrar os nomes daqueles que estavam no Pronto Atendimento naquela noite: o médico Gabriel Adamy, as enfermeiras Vaneuza e Stephani, a técnica de enfermagem Débora, Lucas, da recepção, e Josiane, da higiene.

 

“Eu não estaria aqui escrevendo estas palavras”, registra Paulo na carta ao agradecer aos profissionais e também atribuir sua recuperação à fé.

 

Paulo deu entrada no dia 26 de julho e recebeu alta quatro dias depois, em 30 de julho.

 

Depois de sobreviver ao infarto e voltar para casa, Paulo decidiu compartilhar a história por dois motivos: agradecer publicamente às pessoas que estavam trabalhando naquela noite e fazer com que a experiência vivida por ele sirva de alerta.

 

“Não subestime nem espere os sintomas passarem. No meu caso, reconhecer imediatamente o que estava acontecendo e buscar socorro sem perder tempo foi determinante. Em uma emergência cardíaca, cada minuto pode representar a diferença entre a vida e a morte”, detalhou.

 

Na carta, Paulo lembra que, naquela sala de emergência, não estava apenas a vida de um paciente em jogo. “Havia um filho, um pai, um marido, um irmão e um amigo. Havia uma família inteira esperando que eu voltasse para casa”, relatou.

 

Leia a carta feita por Paulo na íntegra:

 

“Os anjos daquele dia tinham nome

 

Uma carta aberta de gratidão ao Pronto Atendimento da Unidade de Saúde de Rio Negro – PR

 

No dia 26 de julho de 2026, o tempo mudou de peso dentro da minha própria casa. Senti a dor. Uma fisgada implacável que identifiquei de imediato como sendo um infarto; o coração anunciava que ia parar. Ali, a corrida contra os milésimos de segundo começou.

 

Em menos de dois minutos, cheguei ao Pronto Atendimento de Rio Negro/PR.

 

A minha maior sorte foi descobrir que, naquele dia, os anjos já estavam de plantão naquela unidade. Eles não tinham asas; usavam jalecos e tinham rostos e nomes que a minha memória jamais apagará: Dr. Gabriel Adamy, Vaneuza, Stephani, Débora, Lucas e Josiane.

 

A competência deles foi absoluta. Naquela maca hospitalar, enquanto minha respiração cessava e eu mergulhava em uma parada cardiorrespiratória (PCR) em ritmo chocável, permaneci clinicamente sem vida por sete minutos. No instante em que senti a existência se esvair, a morte me abraçou. Mas Deus estava ali e me tirou dos braços dela.

 

Mesmo assim, a morte ainda rondou por três dias de internação em uma UTI crítica. Contudo, pela graça de Deus e pelo trabalho extraordinário das equipes que me atenderam, a vida venceu.

 

Naquela sala de emergência não havia apenas um paciente. Havia um filho, um pai, um marido, um irmão e um amigo. Havia uma família inteira esperando que eu voltasse para casa.

 

Diante do colapso hemodinâmico, a equipe não hesitou. Iniciou imediatamente a reanimação cardiopulmonar (RCP), utilizou o desfibrilador, realizou todos os procedimentos necessários e lutou, minuto após minuto, até que meu coração voltasse a bater.

 

Depois fui intubado, transferido em estado gravíssimo para a UTI e submetido a um cateterismo cardíaco de emergência com angioplastia primária da artéria descendente anterior (ADA).

 

Venho a público enaltecer a excelência desses profissionais e do Pronto Atendimento de Rio Negro. Se não fosse pela bravura deles e pela infinita graça de Deus, eu não estaria aqui escrevendo estas palavras.

 

Há travessias que exigem a entrega total da alma. Eu estive do outro lado do véu. Hoje, cada respiração é um milagre diário; cada abraço nos meus filhos e em quem amo carrega o eco eterno daquele plantão.

 

A morte tentou cobrar o seu preço, mas a fé, a medicina e o amor venceram.

 

Enquanto o meu peito pulsar, cada batimento cardíaco será a prova viva de que os anjos existem, vestem jalecos e decidiram, junto com Deus, que a minha história ainda não havia terminado.

 

Minha eterna e inesgotável gratidão.

 

Paulo Edgar Ramos”.

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