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segunda-feira, 28 de setembro de 2026
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Não me julguem, estou na menopausa!

Um pote de sorvete com feijão dentro deve servir para alguma coisa.

16 de março de 2026 · 10:48 · Atualizada em 16 de março de 2026 · 10:48 · 5 min de leitura

Foto: Freepik

Já te aconteceu de você ir na geladeira louco pra comer um doce (a maioria das vezes sorvete), no meu caso foi gelatina, e se deparar com feijão? É que há uma geração inteira que guarda comida em potes usados. Geralmente quando isso acontece fica uma decepção no ar.

Eu essas últimas semanas estou com essa sensação de decepção, pois retornando das férias, com um monte de planos para colocar em prática me vi chegando ao hospital dirigindo e saindo dele dois dias depois com a barriga cortada. Pois é. Loucura né!?

Tive uma torção ovariana. Fato raro, mas para mim que já não tenho o útero e nem o ovário esquerdo não deu nem pra achar estranho. Minha parte ginecológica sempre foi meio estranha. O fato é que meu ovário já estava necrosando e ele devia estar com um cisto enorme para ter rodado dentro do meu abdome. O resultado foi uma menopausa abrupta aos 42 anos.

Já alguns meses eu vinha sentindo algumas coisas estranhas, mas a gente sempre acha que está cansado porque está dormindo pouco, ou está estressada porque é da sua própria natureza e seu limiar está ficando mais baixo com a maturidade. Ou ainda que escolheu o pijama errado e por isso suou a noite toda. E a fadiga? Há, deve ser porque você tem distonia do movimento. E não sei se vocês lembram de eu me queixando das mudanças na minha pele? Acne no queixo, braços descamando mesmo com hidratação. Ai teve os lapsos de memória. Quando você quer falar algo, sabe o nome, mas não vem a sua cabeça (Já cheguei a pesquisar na internet pra poder escrever uma palavra que já é minha conhecida, mas que não consigo lembrar, acreditam?). Lembram quando esqueci a mala do Davi na rua? Então… Tudo isso eu achava que estava acontecendo porque eu faço milhões de coisas ao mesmo tempo, sou agitada e meio atrapalhada. Eu me culpava. Tentava achar respostas e meios de mudar isso ou de pelo menos amenizar isso, principalmente nas relações pessoais. E nem vamos falar da libido.

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O fato é que enquanto eu (precocemente) e um monte de mulheres quase no fim de seu ciclo fértil achamos que estamos ficando literalmente loucas, é o nosso cérebro que não está funcionando bem por falta ou ausência total dos hormônios estrogênio e progesterona.

No livro “O cérebro e a menopausa” a neurocientista Lisa Mosconi diz que “mais de três quartos de todas as mulheres desenvolvem sintomas neurológicos durante a menopausa”. Ela diz também que a maioria dos médicos simplesmente não faz relação entre a menopausa e outros sintomas e isso acontece principalmente com mulheres com menos de 50 anos, que normalmente saem de um consultório médico com uma receita de antidepressivo e têm suas preocupações minimizadas como um subproduto da psicologia feminina. O problema é que eu, mulher, também pensava e agia assim com outras mulheres. Até que voltei pra casa depois da cirurgia (minha quinta cirurgia, só pra vocês saberem. A terceira ginecológica) e começar a sentir que o mundo estava despedaçando na minha frente.

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Eu sou um pessoa extremamente otimista em relação a vida e sempre tentei levar as minhas questões de saúde de maneira leve. Eu já tive depressão e síndrome do pânico, mas o que eu estava sentindo era completamente diferente. Choro, inabilidade para fazer qualquer coisa dentro de casa e até com meu cuidado próprio. O cérebro não aceitava uma leitura ou série. Eu ficava parada por horas na cama sem dormir e sem fazer nada. Pra mim estava ali o fim.

Escrever tudo isso agora que as coisas já estão quase entrando nos eixos é um pequeno milagre, pois até escrever estava impossível. Tentei manter os compromissos e ajudar no que podia no meu trabalho de longe, mas na verdade tudo parecia estar em um mundo paralelo.

Quando comecei a melhorar li, 9já fazendo a reposição hormonal), um livro muito legal “Sem sexo por favor, estou na menopausa”, uma ficção divertida sobre uma mulher que está passando pela menopausa e por não querer/conseguir fazer mais sexo o marido a troca por uma mulher mais jovem. Depois do divórcio ela se redescobre, suas preferências, habilidades e valores. Um livro bem divertido.

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A personagem do livro não pode fazer reposição hormonal, pois a reposição hormonal é contraindicada para algumas mulheres com alto risco de eventos trombóticos, doenças cardiovasculares, histórico pessoal de câncer, doenças hepáticas graves ou tumores cerebrais, pois os hormônios podem estimular o crescimento tumoral ou aumentar a coagulação sanguínea. Mas ela consegue muito melhorar a qualidade de vida com caminhadas regulares, controle do estresse e uma dieta balanceada.

Em geral segundo Lisa Mosconi, 10% a 15% das mulheres têm sorte de não sentir qualquer alteração durante a menopausa ou ter somente alguns sintomas. E espero que você ou as mulheres que você ama tenham essa sorte. Eu que fui premiada com a retirada do útero aos 15 anos não poderia esperar muita coisa diferente do que estou passando neste momento. Se for ver até que demorou.

O fato é que as vezes quando abrimos o pote de sorvete e tem feijão o que estamos precisando mesmo é o feijão. E depois de toda essa situação que passei eu comecei a me respeitar mais. Estudar sobre o que eu estou passando certamente vai me ajudar a olhar de forma diferente também para as mulheres que eu cuido. Talvez eu precisasse desse feijão amargo de mais uma cirurgia pra parar um pouco e olhar mais pra mim!

Com essa escrita de hoje eu espero que você também possa começar a olhar diferente para estes sintomas e as mulheres que os apresentam. Nem tudo é depressão. Pode ser menopausa.

E aí, qual feijão você está precisando hoje?

Leiam também o livro que já indiquei aqui “Depois da última lua” da Carol Petrolini e a sigam no Instagram. Ela é psicóloga e trabalha esta temática e está me ajudando muito.

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