Foto: TV Câmara/Reprodução
Na primeira sessão da Câmara de Mafra após a operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), realizada nesta segunda-feira (13), a investigação dominou os debates no plenário.
Oito vereadores se manifestaram sobre o caso e, apesar dos diferentes posicionamentos, nenhum deles saiu em defesa do ex-prefeito e pré-candidato a deputado estadual Emerson Maas (MDB), citado na investigação conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina.
Embora os discursos tenham seguido linhas diferentes, houve um consenso entre os vereadores que se manifestaram: todos defenderam que as investigações tenham continuidade e que a Justiça esclareça os fatos.
Alguns destacaram o direito à ampla defesa dos investigados, enquanto outros fizeram críticas mais duras à antiga administração e à relação entre agentes públicos e fornecedores. Também foram recorrentes as manifestações de preocupação com os prejuízos causados à imagem de Mafra.
O vereador Everton Demétrio (MDB) afirmou que acompanha a investigação com respeito ao trabalho da Justiça e ressaltou que todos os envolvidos têm direito ao contraditório e à ampla defesa. O vereador disse que não cabe fazer julgamento antecipado, mas defendeu que os fatos sejam apurados até o fim.
Ao mesmo tempo, adotou um discurso firme de combate à corrupção. Segundo ele, não irá “se curvar para corrupção”, afirmando que foi eleito para defender a população e os interesses do município. Demétrio também destacou que a responsabilidade com os recursos públicos deve ser ainda maior. “Dinheiro público você cuida dez vezes mais do que o da gente”, declarou.
O vereador Jonas Heide (PL) fez o discurso mais contundente da sessão e direcionou críticas à antiga administração municipal. Durante o pronunciamento, exibiu fotos e vídeos para sustentar que havia proximidade entre integrantes do governo e fornecedores do município, especialmente ligados à realização de eventos.
Ao comentar as imagens, afirmou que “o CPF dos secretários não pode se misturar com o CPF dos fornecedores” e criticou o relacionamento entre agentes públicos e empresários. Também questionou a postura do prefeito Carlos Nitz ao dizer que “o atual prefeito não fez nada. Porque não pode ou porque tem o rabo preso”.
Em outro momento, Jonas fez uma autocrítica ao papel do Legislativo. Segundo ele, a Câmara também tem responsabilidade pelo cenário político do município. “Mafra tá nas páginas policiais por nossa culpa, pelo sistema político que se implantou”, declarou.
José Marcos Witt (PSDB) disse que os vereadores não podem se omitir diante da repercussão da operação, mas ressaltou que não pretende antecipar julgamento dos investigados. Segundo ele, é necessário respeitar o direito de defesa e aguardar o andamento das investigações conduzidas pelo Ministério Público.
O parlamentar ressaltou que não pretende fazer qualquer julgamento antecipado dos investigados. “Não quero aqui nessa noite inocentar e nem incriminar ninguém, sem o seu direito de defesa”, afirmou. Ainda assim, disse respeitar o trabalho desenvolvido pelo Ministério Público e pelo GAECO e defendeu que “sejam estabelecidos os esclarecimentos no decorrer dos fatos” e que “sejam responsabilizados os responsáveis”.
Witt também fez questão de destacar que sempre elogiou a administração do ex-prefeito Emerson Maas. “Eu também quero dizer que o governo Mass, sempre elogiei nessa casa porque fez um grande governo, fez um grande governo com as suas obras, com as suas realizações. Prova disso foi as eleições, as urnas, apontando 67% a seu favor”, declarou. Apesar disso, reconheceu que “este momento que Mafra vive não é fácil” e afirmou que cabe aos vereadores apresentar suas reflexões sobre o caso, por entender que “é o dever da casa, é o dever de cada vereador"”.
Nereu Carvalho (Republicanos) afirmou que acompanha os desdobramentos da investigação com preocupação e disse que a situação causa vergonha ao município. Apesar disso, ponderou que todos os envolvidos têm direito à ampla defesa e que qualquer conclusão deve ocorrer somente após a apuração dos fatos.
O vereador afirmou que “a acusação está aí, envergonha Mafra”, mas acrescentou que “a verdade seja esclarecida”. Também destacou que sempre defendeu a correção na vida pública e que, caso cometa algum erro, está disposto a reconhecê-lo.
O líder de governo, Rafael Cavalheiro (MDB) lamentou que o nome de Mafra tenha voltado ao noticiário estadual em razão da operação. O vereador afirmou que o município vinha conquistando destaque positivo em diferentes áreas e disse ter ficado chateado com a repercussão das investigações.
Segundo ele, ainda é preciso cautela porque as informações disponíveis até o momento são aquelas divulgadas pela imprensa e pelas redes sociais. Rafael afirmou que é necessário aprofundar a análise dos fatos e aguardar a conclusão das investigações. Também elogiou o trabalho desenvolvido pelo GAECO e pelo Ministério Público.
Já o vereador Ronaldo de Mello Wolski (PL) lamentou a repercussão da operação e disse que a situação prejudica toda a cidade, não apenas os investigados. O vereador afirmou que “é lamentável o nome de Mafra nos canais de notícia novamente” e lembrou que “isso já aconteceu no passado, está acontecendo novamente”.
Ronaldo citou as investigações classificando a situação como inadmissível. “É um absurdo Mafra estar em todos os canais de notícia”, afirmou. Em seguida, questionou os reflexos do caso para a população: “Como que fica o cidadão mafrense? Isso não fica feio só para quem tá sendo investigado, isso fica feio para todos. Legislativo, a comunidade mafrense”, declarou. Ao encerrar a fala, disse esperar que “a Justiça faça o seu dever de casa”.
Wagner Grossl Ramos de Oliveira (PL) afirmou que os vereadores têm o dever de se posicionar diante de situações que envolvem o município, especialmente porque são diretamente cobrados pela população. Segundo ele, a Câmara também sofre desgaste institucional quando casos dessa natureza ganham repercussão.
O parlamentar disse que ficará profundamente triste caso as suspeitas sejam confirmadas, por entender que episódios assim comprometem a confiança da população na política. Wagner defendeu ainda que a Câmara discuta medidas institucionais sobre o assunto, afirmando que “esta Casa tem responsabilidade de tomar alguma providência”.
João Celso Cardoso (MDB) fez o pronunciamento mais breve entre os vereadores que abordaram o assunto. Sem entrar no mérito das investigações ou comentar os nomes citados na operação, o parlamentar afirmou que cabe exclusivamente ao Poder Judiciário conduzir o caso. “Isso está tudo na mão da Justiça. Então, que a Justiça tome as providências cabíveis”, afirmou.
Os vereadores João Carlos Reiser (Republicanos), Sérgio Luiz Severino (PP), Valdir Sokolski Junior (Republicanos) e Vanderlei Peters (Podemos) não comentaram a operação em seus pronunciamentos. A vereadora Miriam Clara Schloegl (PRD) estava ausente da sessão.
Assista a sessão na íntegra
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