
Uma análise técnica realizada no dia 12, identificou concentração elevada de cianobactérias no reservatório da Usina São Lourenço, em Mafra.
Os índices são acima dos limites estabelecidos pela legislação ambiental para reservatórios de usos múltiplos e a condição indica processo de eutrofização da água, caracterizado pelo excesso de nutrientes que favorece a proliferação de algas e cianobactérias, e representa risco à saúde humana.
A coleta foi feita de forma conjunta, com a presença da promotoria, Polícia Ambiental, Celesc, Instituto do Meio Ambiente (IMA) e representantes da comunidade local. O trabalho integrou uma análise de campo no rio São Lourenço e no lago do reservatório da Pequena Central Hidrelétrica.
De acordo com avaliação técnica da bióloga e doutora Priscila Tremarin, referência nacional em fitoplâncton, a quantidade de cianobactérias encontrada está acima do permitido pela legislação ambiental. Em grandes concentrações, esses organismos podem provocar dermatites, além de produzir toxinas com ação hepática e neurológica, dependendo da espécie.
Diante do cenário, a recomendação é que a população evite o contato com a água, não consuma a água da represa e não faça ingestão de peixes enquanto durar a floração de cianobactérias. A orientação vale tanto para o lago da usina quanto para o rio São Lourenço.

As atividades de campo e o acompanhamento técnico participativo foram conduzidos por voluntários da ONG Voz do Rio, com apoio de órgãos ambientais, reforçando o monitoramento da qualidade da água e o diálogo entre autoridades e moradores da região.
Os resultados das análises foram comparados aos parâmetros da Resolução Conama 357/2005, que estabelece critérios para a classificação e os padrões de qualidade dos corpos d’água no Brasil.
Veja o resultado da análise
Relembre o caso

A situação veio à tona em agosto de 2025, após o surgimento de “tapete verde” de plantas aquáticas sobre o rio São Lourenço.
O fenômeno motivou o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) a ingressar com quatro ações civis públicas para responsabilizar empresas e órgãos públicos por possíveis danos ambientais.
Segundo o MPSC, amostras coletadas em diferentes pontos do rio apontaram “desconformidade microbiológica” e níveis elevados de coliformes termotolerantes, fósforo e nitrogênio, acima dos limites definidos pela Resolução Conama 357/2005. A carga orgânica favoreceu a proliferação da espécie invasora Salvinia molesta, que chegou a cobrir cerca de 80% do reservatório da Usina São Lourenço.
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