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sábado, 26 de setembro de 2026
Voltar Douglas Dias

O dia que uma avó e seus dois netos não me deixaram parar

Na simplicidade de uma avó e dois netos à beira da estrada, um gesto silencioso se transforma em força, incentivo e combustível para não desistir quando tudo parece querer parar.

2 de maio de 2026 · 09:43 · 3 min de leitura

Imagem gerada por IA/Divulgação

 

 

Minha primeira meia maratona foi marcada por alguns desencontros. Foi em uma cidade vizinha, e já no dia anterior à prova, alguns contratempos foram acontecendo. Só para ter uma noção, um deles foi que as inscrições de minha esposa e a minha, feitas dois meses antes da prova, simplesmente não tinham sido efetivadas por erro dos organizadores. E aí, pensa no transtorno.

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Era uma estreia, e estreia sempre vem acompanhada de uma certa ansiedade, pelo menos é assim no meu caso. Levantei três horas antes, tomei meu banho, o café, e viajamos até o local. Minha expectativa era apenas terminar bem. A corrida iniciou atrasada, mas, às 6h45, na manhã daquele 19 de abril, eu e centenas de atletas estávamos na rua, correndo debaixo de uma linda garoa.

 

E até o quilômetro 18, parecia que eu ia ganhar pódio na categoria. Estava bem. No dia anterior, havia cuidado da alimentação; nos dias que antecederam, havia feito o treino religiosamente prescrito pelo treinador. Mas, para quem corre, sabe: os imprevistos acontecem. E comigo aconteceu.

 

Um pouco antes, no quilômetro 14 mais ou menos, vi uma avó silenciosa, com um sorriso amarelo. Ao seu lado, duas crianças, posso estar errado, mas acho que eram seus netos. Eles seguravam uma folha A4 em suas mãos e, à medida que eu me aproximava, levantavam a “placa”. Na mão do menino dizia: “quer medalha?”; na da menina, a placa dizia: “termine a prova”. Lá estavam eles: a melhor torcida que já tive; apenas de silenciosa, mas algo mexeu comigo.

 

Mal sabia eu que aquela segunda frase logo seria meu mantra até o km 21. Assim que passei do km 16, meu joelho direito começou a doer. A dor foi se intensificando até que, no km 18, eu já estava pensando em desistir. Primeiro, tentei negociar comigo mesmo, dizendo que não era uma dor real. A prova já estava na reta final e eu já ia conseguir, não deu certo. Diminuí o pace.

 

Ficou pior, porque comecei a ver corredor e mais corredor me ultrapassando, um, e mais um. E desistir me parecia a única opção naquele momento. Foi aí que a vovó entra novamente na minha prova. A frase “termine a prova” passou a ganhar voz na minha cabeça. A imagem daquelas crianças me deu um incentivo à parte. Talvez eu nunca mais as encontre, e nunca consiga agradecer o que elas fizeram por mim. Só sei que foi por causa delas que encarei a dor e terminei a prova repetindo para mim mesmo: “termine a prova”.

 

Fico imaginando como atitudes tão simples podem impactar tanto a vida das pessoas. É surreal imaginar que podemos ser agentes de transformação, apenas agindo com empatia.  Não sei que “placa” você está segurando, nem que frase de apoio você quer transmitir. Só te peço: levante sua placa o mais alto que puder e seja esse canal de bênção. Alguém vai precisar saber o que você tem a dizer. O mundo precisa de você!

 

Pense nisso!

 

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