Buscando por?

Procure por títulos, chamadas e conteúdo das matérias.

terça-feira, 29 de setembro de 2026
Voltar Outras

O preço do deslumbre: a conta que a BR-116 cobra todos os dias

A audiência pública desta quarta-feira, em Rio Negro, reflete o cansaço da população com um contrato, talvez, mal pensado em 2008.

8 de outubro de 2025 · 14:42 · Atualizada em 8 de outubro de 2025 · 21:00 · 2 min de leitura

Foto: Robson Komochena

Os problemas da BR-116, não começaram ontem. São de tempos. De gestões passadas, de promessas repetidas, de respostas que soam iguais, e que, no fim, não mudam nada.

É preciso lembrar que esse cenário começou a ser desenhado nos idos de 2008, quando foi assinado o contrato de concessão.

Naquele momento, talvez, houve um certo deslumbre dos governos municipais com a ideia de ter uma rodovia administrada pela iniciativa privada, com investimentos prometidos, que pontos cruciais acabaram esquecidos.

Não se impôs, naquela época, durante as audiências públicas, as condições que realmente protegeriam a cidade, e o que parecia modernização se transformou, quase 20 anos depois, em um obstáculo diário para a população.

O caso mais emblemático é o popular “trevo da Norte Fios”, no quilômetro 210. Com o passar dos anos, os acidentes se tornaram tão frequentes e graves que o local ganhou um apelido trágico: “o trevo da morte.”

Continua depois da publicidade

Um nome pesado, é verdade, mas justo, diante da realidade de quem já viu vidas se perderem ali, e de quem ainda enfrenta o mesmo perigo todos os dias.

Enquanto os acidentes se acumulam e a cidade cresce para os dois lados da pista, o que se ouve é sempre o mesmo, resumido em três frases:

- “O projeto não está no contrato.”   - “Precisa ser incluído na repactuação.”   - “Está em análise na ANTT.”

Essas frases já viraram bordões de quem tenta justificar a não execução de uma obra. Mas para quem vive o problema de perto, elas soam como desrespeito. O povo cansou. Os empresários também.

Outro ponto foi a “mutilação” do território urbano com a instalação da praça de pedágio dentro do perímetro municipal, onde a arrecadação do ISS pesou mais, fazendo com que os moradores da Roseira, por exemplo, paguem para ir e vir trabalhar.

Nos últimos anos, inúmeras foram as conversas e cobranças das lideranças à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e à concessionária Arteris. Ora é um ofício, ora uma reunião, ora uma nova promessa de que “agora vai”. E até agora não foi. A ponto que a última cartada é levar as demandas diretamente ao Ministério dos Transportes.

O projeto da passagem inferior no “trevo da morte” até pode estar sendo ajustado, revisado ou “aguardando parecer técnico”. Mas o tempo da burocracia não pode continuar valendo mais do que o tempo da vida real. Ou do que o próprio valor da vida. E vida, quando se perde, não cabe em planilha, termo de ajustamento ou projeto.

A audiência pública marcada para esta quarta-feira (8), a partir das 19 horas na Câmara de Rio Negro, é, acima de tudo, o reflexo de um cansaço coletivo. E a previsão, é de casa cheia.

0 Comentários

Fazer login

Os comentários são de responsabilidade de seus autores. Ao comentar, o usuário declara estar de acordo com nossa Política de Privacidade e Termos de Uso. Faça login para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar

Faça login para participar da discussão sobre essa matéria.

Fazer login para comentar
Siga o Riomafra Mix no Google e fique por dentro das principais notícias de Mafra, Rio Negro e região.
Top

Preencha todos os campos obrigatórios.

No momento não conseguimos enviar seu e-mail, você pode mandar mensagem diretamente para [email protected].

Preencha todos os campos obrigatórios.

Contato enviado com sucesso, em breve retornamos.

Comentário enviado com sucesso, vamos analisar sua mensagem e em breve será exibida.

Você será redirecionado em alguns segundos!

Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.

Li e aceito os termos.