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Paralisação da JBS em Itaiópolis causa prejuízos e preocupa avicultores

Produtores relatam aumento de custos e risco de mortalidade nas granjas após decisão judicial que suspendeu abates.

12 de novembro de 2025 · 18:51 · Atualizada em 16 de dezembro de 2025 · 11:12 · 2 min de leitura

Foto: Luiz Felipe Reinert

A paralisação das atividades na unidade da JBS/Seara em Itaiópolis está deixando centenas de produtores em alerta e sem previsão de retomada. O abate foi interrompido após uma decisão judicial motivada por ações do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que responsabiliza a empresa e outros órgãos pela contaminação do rio São Lourenço, em Mafra.

Segundo o MPSC, quatro ações civis públicas com pedido de liminar foram ajuizadas contra a JBS/Seara Alimentos Ltda., Celesc Geração S/A, Seluma (Serviço de Limpeza Urbana de Mafra), Município de Mafra, Estado de Santa Catarina e o Instituto do Meio Ambiente (IMA).

As investigações apontaram níveis elevados de coliformes, fósforo e nitrogênio acima do limite legal, o que teria favorecido a proliferação do “tapete verde”, uma espessa camada de vegetação sobre o rio. O objetivo do Ministério Público é interromper as fontes de poluição e responsabilizar os envolvidos pelos danos ambientais e coletivos.

Um avicultor de Itaiópolis, que preferiu não ser identificado, relatou que desde quinta-feira (6) nenhum caminhão recolhe frangos. “Os animais já estão com 45 dias, bem acima do peso ideal. Cada dia parado representa aumento no custo e risco de mortalidade”, explicou. Ele afirma que a interrupção quebra todo o ciclo produtivo. “O certo é trabalhar com seis lotes por ano, com intervalo para limpeza dos aviários. Agora não conseguimos fazer o vazio sanitário nem receber novos pintinhos. É um efeito em cadeia.”

Represa São Lourenço, em Mafra. Foto: Marlon Müldenberger

Mesmo com o abate suspenso, as despesas continuam. A ração é fornecida pela empresa, mas os custos de energia, manejo e mão de obra ficam com os produtores. “Quanto mais o frango cresce, mais consome e mais caro fica. Quando passa do peso, aumenta o risco de morte por calor ou infarto”, disse o avicultor. Ele calcula prejuízos de R$ 800 a R$ 1 mil por dia em cada galpão, podendo chegar a R$ 3 mil diários em estruturas maiores. Cerca de 30 aviários integrados à unidade estão parados, com 30 a 40 mil aves cada.

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Antes da paralisação, a unidade abatia em média 180 mil frangos por dia. Agora, o acúmulo de aves chega a cerca de 800 mil, segundo estimativas dos produtores. Parte dos lotes mais novos está sendo redirecionada a outras plantas da JBS, como a de Lapa, mas o volume é pequeno, em torno de 110 mil aves por dia. “Os frangos maiores ficam. E com 60 dias já começam a morrer. É prejuízo que não se recupera”, disse.

Procurada reiteradas vezes desde o início da suspensão das atividades, a JBS não se manifestou à imprensa. Funcionários relataram temor de férias coletivas ou demissões, caso o abate seja retomado com capacidade reduzida.

 Com informações da Demais FM.

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