
A paralisação das atividades na unidade da JBS/Seara em Itaiópolis está deixando centenas de produtores em alerta e sem previsão de retomada. O abate foi interrompido após uma decisão judicial motivada por ações do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que responsabiliza a empresa e outros órgãos pela contaminação do rio São Lourenço, em Mafra.
As investigações apontaram níveis elevados de coliformes, fósforo e nitrogênio acima do limite legal, o que teria favorecido a proliferação do “tapete verde”, uma espessa camada de vegetação sobre o rio. O objetivo do Ministério Público é interromper as fontes de poluição e responsabilizar os envolvidos pelos danos ambientais e coletivos.
Um avicultor de Itaiópolis, que preferiu não ser identificado, relatou que desde quinta-feira (6) nenhum caminhão recolhe frangos. “Os animais já estão com 45 dias, bem acima do peso ideal. Cada dia parado representa aumento no custo e risco de mortalidade”, explicou. Ele afirma que a interrupção quebra todo o ciclo produtivo. “O certo é trabalhar com seis lotes por ano, com intervalo para limpeza dos aviários. Agora não conseguimos fazer o vazio sanitário nem receber novos pintinhos. É um efeito em cadeia.”

Mesmo com o abate suspenso, as despesas continuam. A ração é fornecida pela empresa, mas os custos de energia, manejo e mão de obra ficam com os produtores. “Quanto mais o frango cresce, mais consome e mais caro fica. Quando passa do peso, aumenta o risco de morte por calor ou infarto”, disse o avicultor. Ele calcula prejuízos de R$ 800 a R$ 1 mil por dia em cada galpão, podendo chegar a R$ 3 mil diários em estruturas maiores. Cerca de 30 aviários integrados à unidade estão parados, com 30 a 40 mil aves cada.
Antes da paralisação, a unidade abatia em média 180 mil frangos por dia. Agora, o acúmulo de aves chega a cerca de 800 mil, segundo estimativas dos produtores. Parte dos lotes mais novos está sendo redirecionada a outras plantas da JBS, como a de Lapa, mas o volume é pequeno, em torno de 110 mil aves por dia. “Os frangos maiores ficam. E com 60 dias já começam a morrer. É prejuízo que não se recupera”, disse.
Procurada reiteradas vezes desde o início da suspensão das atividades, a JBS não se manifestou à imprensa. Funcionários relataram temor de férias coletivas ou demissões, caso o abate seja retomado com capacidade reduzida.
Com informações da Demais FM.
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