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sábado, 26 de setembro de 2026
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Plano Safra tem valor recorde, mas acesso ao crédito preocupa entidades do setor

Sistema Faep avalia que juros, acesso às linhas de financiamento, renegociação de dívidas e seguro rural continuam sendo desafios para os produtores.

7 de julho de 2026 · 17:56 · Atualizada em 7 de julho de 2026 · 17:58 · 4 min de leitura

Foto: Magnific

 

As condições de acesso ao crédito rural previstas no Plano Safra 2026/27, anunciadas pelo Governo Federal, geraram preocupação em entidades representativas do setor agropecuário. Entre elas está o Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR-PR) e os sindicatos rurais, que avalia que, apesar do volume recorde de recursos previsto para o financiamento da agricultura, ainda existem desafios relacionados às taxas de juros, ao acesso às linhas de crédito, à renegociação de dívidas e ao fortalecimento do seguro rural.

 

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O plano destina R$ 525,1 bilhões para o financiamento da agricultura empresarial, um aumento de 1,7% em relação aos R$ 516,2 bilhões disponibilizados na safra anterior. Somados aos R$ 85 bilhões voltados à agricultura familiar, os recursos totalizam R$ 610 bilhões. Na avaliação do Sistema Faep, o montante ficou abaixo dos R$ 670 bilhões defendidos pela entidade e por outras organizações representativas do Paraná.

 

Segundo o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, além do volume de recursos, é necessário que as linhas de financiamento ofereçam condições compatíveis com a realidade enfrentada pelos produtores rurais.

 

"De nada adianta divulgar um Plano Safra com valor recorde se não há mecanismos para que isso se transforme em investimentos no campo. Não passa de pura ilusão, de um número no papel. Precisamos de juros, condições, linhas e ferramentas de acordo com a realidade dos nossos produtores rurais, para que a agropecuária continue crescendo e colaborando para a economia do país", afirmou.

 

Ainda de acordo com a entidade, antes do anúncio do Plano Safra, o Sistema Faep, o Sistema Ocepar, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep) encaminharam ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) uma série de propostas defendendo mais recursos, redução das taxas de juros, fortalecimento do seguro rural e mecanismos para a renegociação das dívidas dos produtores.

 

No Plano Safra 2026/27, as linhas de custeio para grandes produtores terão juros de 12,5% ao ano. Para os médios produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), a taxa será de 9% ao ano. O Sistema Faep havia proposto juros máximos de 10,5% nas linhas de crédito e de 7% para o Pronamp.

 

Para esta safra, o governo federal também disponibilizará R$ 72,6 bilhões ao Pronamp em linhas com taxas controladas. O limite de enquadramento foi mantido para produtores com renda bruta anual de até R$ 3,5 milhões. Além disso, produtores enquadrados no programa poderão financiar a aquisição de matrizes reprodutoras, enquanto as operações de comercialização passarão a contar com a mesma taxa aplicada ao custeio.

 

Na avaliação de Meneguette, apesar da redução em relação ao ciclo anterior, as taxas de juros permanecem elevadas diante do cenário enfrentado pelo setor.

 

"Embora tenha havido redução em relação ao ciclo anterior, as taxas permanecem altas. Em um cenário marcado por juros elevados, margens de lucro reduzidas, sucessivas perdas climáticas e aumento do endividamento no campo, a disponibilidade de recursos, mesmo sendo recorde, perde relevância caso as linhas de financiamento permaneçam pouco atrativas ou inacessíveis", disse.

 

O presidente do Sistema Faep também afirmou que o volume de recursos disponibilizado não garante, por si só, a contratação dos financiamentos pelos produtores.

 

"O Plano Safra 2025/26 contratou menos de 80% do volume disponibilizado, demonstrando que não adianta muito recurso se o crédito não está sendo contratado. Hoje o produtor está endividado e, sem linhas de crédito atrativas e um Seguro Rural fortalecido, qualquer frustração de safra compromete a capacidade de quitar o financiamento", destacou.

 

Outro ponto apontado pela entidade é a ausência de medidas voltadas à renegociação dos passivos acumulados pelos produtores rurais nos últimos anos. Segundo o Sistema Faep, o tema foi tratado como prioridade pelas entidades do setor, mas não foi contemplado no lançamento do Plano Safra.

 

Seguro rural

O Sistema Faep também manifestou preocupação com a ausência de anúncios relacionados ao seguro rural durante o lançamento do Plano Safra 2026/27. A entidade informou que havia solicitado a destinação de R$ 4 bilhões ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), defendendo o fortalecimento da ferramenta como forma de reduzir os riscos enfrentados pelos produtores.

 

Para Meneguette, o seguro rural beneficia tanto os agricultores quanto as instituições financeiras, ao oferecer maior segurança para a produção e para o pagamento dos financiamentos.

 

"Quando o governo não investe no seguro rural, deixa os agricultores e pecuaristas desamparados e coloca em risco a agropecuária do país", concluiu.

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