Nildenes e a esposa Auricélia junto com as três filhas, Brenda, Sâmya e Marília. Fotos: Divulgação
Natural de Esperantinópolis, no Maranhão, e morador de Mafra, Nildenes Vieira Ribeiro viu de perto cada etapa da caminhada da filha Brenda Carneiro Ribeiro até ela se tornar médica. Foram nove anos entre mudanças de cidade, trabalho pesado e escolhas tomadas em família, sempre com o mesmo objetivo no horizonte.
O sonho se concretizou em dezembro de 2025, quando Brenda, hoje com 28 anos, recebeu o diploma de Medicina pela Universidade Nove de Julho (Uninove), em São Paulo. Para o pai, de 50 anos, o dia da formatura teve um peso especial. "Naquele momento, da formatura, foi um sentimento de realização e de dever cumprido como pai", conta.
A vontade de ser médica vinha desde a infância, quando Brenda brincava de "ser doutora". O desejo se fortaleceu depois que ela acompanhou um tio, irmão do pai, enfrentando um câncer.
Na hora de ingressar na faculdade, porém, a família não tinha condições de bancar um curso de Medicina no Brasil. A saída foi começar a graduação no Paraguai, onde os custos cabiam no orçamento. Brenda topou o desafio e passou três anos estudando no país vizinho, até fazer o Enem, tirar uma boa nota e conseguir uma bolsa para retomar o curso em São Paulo. Somando as duas etapas, foram nove anos até o diploma.
Ao longo desse período, Nildenes e a esposa, Auricélia Carneiro de Carvalho Ribeiro, abriram mão de boa parte do próprio conforto para sustentar os estudos da filha. "Para mim e minha esposa, foram anos de muita luta. Abrimos mão de muitas coisas para economizar o máximo e não deixar faltar nada para ela", afirma o pai, que passou anos sem tirar férias. Ele trabalhou quatro anos como frentista, dez meses como promotor de vendas, e hoje integra uma empresa familiar da área de saúde preventiva.
Apesar dos esforços, Nildenes afirma que ele e a esposa não costumavam parar para pensar se todo aquele empenho valeria a pena. “Nunca paramos para pensar, em nenhum momento, se todo aquele nosso esforço valeria a pena, pois estávamos correndo atrás da realização do sonho de nossa filha”, relata.
Para Brenda, o apoio do pai foi decisivo. "Ele foi o maior apoiador! Sempre respeitou minhas escolhas e sempre me ajudou em tudo", afirma. Nos momentos mais difíceis, pai e filha repetiam uma frase que virou quase um lema: "Deus no comando".
A história da família também passou por uma mudança de endereço. Nildenes chegou a Mafra em 2022 para conhecer um tio que morava na cidade, gostou do lugar e decidiu ficar. Em janeiro de 2023, trouxe para Mafra a esposa e as três filhas: Brenda, a primogênita, Sâmya e Marília. A mudança possibilitou conciliar trabalho e os estudos das duas filhas mais novas, além de aproximar a família de Brenda, que continuava a graduação em São Paulo.
Foi nesse cenário de mudanças que a família viveu o momento mais aguardado. Para Nildenes, ver a filha formada é a prova de que algo que um dia pareceu impossível pode se realizar. "Representa a realização de um sonho que parecia impossível. Isso, com o tempo, me ensinou que, quando colocamos nossos projetos na mão de Deus, com muita fé e união da família, tudo é possível", diz.
Brenda ao lado do marido, Raynierio, dos pais, Nildenes e Auricélia, durante a formatura em Medicina
Depois de anos recebendo o apoio do pai, Brenda também vê a formatura como uma virada de chave na relação entre os dois. "Gratidão eterna, pai, te amo! Agora é minha vez de cuidar do senhor e da nossa família!", declara. Atualmente ela atua nas áreas de Medicina Estética Regenerativa, Tricologia e Medicina Preventiva.
Ao olhar para os nove anos de caminhada, Nildenes diz que o que mais ficou foi a certeza de que a família sempre encontrou um caminho, mesmo quando pensou em desistir. "O que mais nos marcou foi a certeza do poder de Deus em nossas vidas. Em inúmeras vezes pensamos em desistir, mas sempre que aparecia uma dificuldade, Deus nos mostrava uma solução", conta.
Ele também faz questão de lembrar quem esteve ao lado da família nesse período: "Agradeço primeiramente ao nosso Deus, toda a minha família, em especial minha mana Núbia. Também não poderia deixar de agradecer ao amigo e proprietário da empresa onde trabalhei, Fábio Espíndola, por todos esses anos ter acreditado em meu trabalho, e, de forma muito fraterna, agradeço meu genro, Dr. Raynierio, que é parte importante da realização do nosso sonho."
Depois de nove anos, a menina que brincava de ser médica recebeu o diploma. E, para o pai que acompanhou cada etapa dessa caminhada, a conquista da filha também representa a própria realização de um sonho.
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