Foto: Maria da Glória Foohs/Acervo
O apito do trem, as viagens de litorina e as antigas estações movimentadas podem voltar a fazer parte da rotina de Mafra e Rio Negrinho.
Depois de mais de três décadas sem transporte ferroviário de passageiros, associações de municípios do Norte de Santa Catarina articulam a retomada do serviço na linha que liga Mafra a São Francisco do Sul.
O pedido foi encaminhado ao Ministério dos Transportes, ao DNIT, à Infra S.A. e ao Governo de Santa Catarina pelas associações regionais Amunesc (Associação de Municípios do Nordeste/SC), Amplanorte (Associação dos Municípios do Planalto Norte) e Amvali (Associação dos Municípios do Vale do Itapocu). A solicitação busca incluir a linha EF-485 nos estudos nacionais sobre a volta dos trens de passageiros.
O trecho ferroviário possui cerca de 170 quilômetros de extensão e além de Mafra, passa por Negrinho, São Bento do Sul, Corupá, Jaraguá do Sul, Guaramirim, Joinville, Araquari e São Francisco do Sul.
Segundo as entidades, a ferrovia apresenta potencial para melhorar a mobilidade regional, principalmente diante do intenso fluxo nas rodovias BR-280 e BR-116, utilizadas diariamente por trabalhadores, estudantes e pelo transporte de cargas.
Atualmente, a linha é usada apenas para o transporte de grãos destinados ao Porto de São Francisco do Sul. O transporte regular de passageiros foi encerrado em 1991, sendo que nos últimos anos de operação o trajeto era realizado pelas tradicionais litorinas.
No documento enviado aos órgãos federais e estaduais, as associações afirmam que a retomada da ferrovia pode fortalecer a integração entre municípios do Planalto Norte e do Norte catarinense, além de ajudar a reduzir a pressão sobre as rodovias e os sistemas viários urbanos.
A mobilização ocorre em meio às discussões sobre o futuro da Malha Sul ferroviária. O atual contrato de concessão vence em fevereiro de 2027, após 30 anos de vigência. O Ministério dos Transportes avalia dividir a malha em três lotes, incluindo o trecho Mafra-São Francisco do Sul no chamado Corredor Paraná-Santa Catarina.
Apesar da mobilização regional, a retomada do transporte ferroviário de passageiros ainda não aparece entre as prioridades anunciadas pelo Governo Federal.
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