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Resgate histórico: a festa de 6 de agosto em outros tempos

Fotos raras mostram como era o evento nas décadas de 40 e 50.

6 de agosto de 2025 · 17:07 · Atualizada em 7 de agosto de 2025 · 08:09 · 3 min de leitura

Foto: Maria da Gloria Foohs/Acervo

 

 

Nesta terça-feira (6), que Rio Negro celebra a 132ª edição da Festa do Senhor Bom Jesus da Coluna, compartilho informações levantadas pela professora Cínthia Maria Cordeiro, uma das poucas pessoas que trabalham na manutenção da nossa história.

 

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"A festa, que inicialmente acontecia na praça da matriz, mudou-se, em 1978, para o pátio da Casa Paroquial, Salão 6 de Agosto e Centro Catequético Paroquial, onde os espaços são mais bem distribuídos.

 

Ao longo desses anos, é impossível levantar dados de quantos foram os festeiros, os colaboradores e frequentadores destas festas.

 

De acordo com registros da historiadora Maria da Glória Foohs (em memória), nas décadas de 40 e 50, um grupo de moças do movimento “Filhas de Maria” faziam a coleta de prendas nas casas, de rua em rua, enquanto a banda de Otto Buch, a Banda do Busmann, ou antes, a do senhor Schneider, se postavam na esquina de cada rua, juntamente com uma pessoa empunhando o estandarte do Senhor Bom Jesus.

 

A banda tocava para todos, convidando os fiéis, fazendo vibrar de entusiasmo e fé, tocando o seu repertório por todo o dia e em todos os pontos da cidade.

 

As irmãs do Colégio São José fabricavam suas próprias prendas: bordados, quadros de santinhos recobertos por chapas de raio-X usadas e limpas, emolduradas com um crochê, saquinhos com bolas de gude, etc. Muitas pessoas se preparavam o ano inteiro para as festas.

 

As prendas do interior eram coletadas pelos componentes da Congregação Mariana e outros senhores, que se divertiam, mas também penavam ao correr atrás de galinhas e porquinhos doados. A diversão começava por aí.

 

O ponto alto da festa era sempre a procissão, onde a imagem do Senhor Bom Jesus da Coluna, bem como seus estandartes, percorriam as principais ruas da cidade, acompanhados de uma multidão de fiéis e devotos atravessando a ponte, indo abençoar os moradores dos dois lados do rio Negro, o que acontece até os dias atuais. As festas também eram planejadas com muita antecedência e tudo começava com as novenas.

 

O evento reunia praticamente toda a população da cidade, os “festeiros” corriam toda a vila e no interior em busca de “prendas” para a festa, as quais eram ofertadas, quase sempre regiamente, mesmo por aqueles de poucos recursos, e que queriam pagar uma promessa.

 

Finalmente no dia 6 de agosto todos se dirigiam para igreja. Grande parte vinha a pé muito de longe e descalços para economizar sapatos, ou porque os pés não os aguentavam por muito tempo.

 

Traziam os sapatos e as botinas nas mãos, e ao aproximar-se do santuário lavavam os pés no riacho, e assim calçados, arrumados, lustrosos e alegres entravam na festa.

 

O trajeto da procissão era percorrido com muita fé. Eram muitos os penitentes e devotos que vinham pagar suas promessas: pés descalços conduzindo o andor, dezenas de crianças vestidas de anjo ou como o Bom Jesus. A banda de música acompanhava o andor, incentivando os cantos e rezas dos fiéis.

 

Neste dia, era a festa maior, à qual o povo comparecia em massa, participando dos leilões, barraquinhas de comidas e prendas, ocupando toda a área da festa.

 

As valorosas senhoras do Apostolado da Oração eram encarregadas de atenderem as barracas onde era servido o café com cuque, sonhos, bolo, pão, etc. Cada Congregação ou Associação arregaçava as mangas e trabalhava sem descanso pelas nove noites e dia da festa.

 

Muito flerte, muito namoro, muitos olhares, rolava entre os jovens. Os rapazes adquiriam um brinquedo, uma bola de papel com serragem fina dentro e segura por um elástico que se amarrava no dedo. E como um pingue-pongue esta bolinha era arremessada de encontro à jovem escolhida para o flerte, o namoro."

 


Festa na década de 30.

 
Procissão no ano de 1948.

 

Equipe do tradicional churrasco, nos anos 60.

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