Foto:Fernanda Assumpção
As festas juninas são marcadas por comidas típicas, música e uma tradição que atravessa gerações: a fogueira. Mas o que para muitos representa apenas celebração pode se transformar em risco quando alguns cuidados básicos são ignorados.
Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras, cerca de um milhão de pessoas sofrem queimaduras todos os anos no país. O período de festas juninas contribui para o aumento desses casos, principalmente devido ao uso de fogueiras e fogos de artifício.
Em Santa Catarina, o Corpo de Bombeiros Militar registrou crescimento nas ocorrências envolvendo fogueiras nos últimos anos. Foram 31 atendimentos em 2023, 33 em 2024 e 50 em 2025, um aumento de 61% em comparação com o primeiro ano da série.
“Os fogos de artifício costumam dominar o noticiário sobre acidentes juninos, mas a fogueira, ‘mais doméstica’ e culturalmente naturalizada, produz um tipo de acidente menos espetacular e mais frequente: queimaduras de segundo grau em mãos, punhos, braços, tronco, rosto e olhos, frequentemente provocadas por estalos e estilhaços durante o acendimento, especialmente quando se usam materiais inflamáveis como papel, madeira seca ou álcool”, destaca o comandante-geral, coronel Fabiano de Souza.
A regra da altura
Antes de montar a fogueira, é importante observar o espaço disponível. Conforme a Instrução Normativa 24 do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, a distância mínima entre a fogueira e construções, vegetação, redes elétricas ou outros materiais combustíveis deve ser de uma vez e meia a altura da própria estrutura.
Na prática, isso significa que uma fogueira de dois metros de altura exige três metros de raio livre ao redor. Uma de quatro metros, seis metros. Uma de um metro e meio, que é a mais comum em quintais, pede mais de dois metros de afastamento.
Orientações pouco conhecidas
Algumas recomendações da corporação ainda são desconhecidas por grande parte da população. Uma delas é que a fogueira deve ser acesa pela parte superior, e não pela base. Isso reduz o risco de desmoronamento da pilha de madeira e evita que brasas sejam lançadas para os lados.
Outra orientação é nunca jogar bombinhas, rojões ou qualquer tipo de artefato explosivo dentro da fogueira. A prática pode provocar a projeção de brasas e causar ferimentos em quem estiver próximo.
Também é recomendado espalhar uma camada de areia no solo antes de posicionar a madeira. A medida ajuda a reduzir a propagação do calor para raízes e vegetação subterrânea, diminuindo as chances de o fogo voltar após o término da festa.
Atenção mesmo após o fim da comemoração
Os bombeiros reforçam que uma fogueira aparentemente apagada ainda pode representar perigo. Por isso, é necessário molhar completamente as brasas e as cinzas antes de deixar o local.
A recomendação é jogar água em abundância, mexer o material com uma pá ou enxada e repetir o processo até não haver mais fumaça, calor ou estalos.
Cuidados básicos para uma noite sem ocorrência
- Manter distância mínima equivalente a uma vez e meia a altura da fogueira em relação a vegetação, construções e redes elétricas;
- Colocar areia entre o solo e a madeira antes de acender;
- Nunca utilizar álcool, gasolina, querosene ou qualquer inflamável líquido;
- Manter balde de água ou areia sempre por perto;
- Evitar fogueira em dias de vento forte;
- Não usar roupas largas, com mangas ou tecidos sintéticos próximas ao fogo;
- Manter crianças e animais afastados, sempre sob supervisão;
- Não acender fogueira após consumo de álcool.
ⓘ Com informações da Agência de Notícias Secom.
0 Comentários
Fazer loginOs comentários são de responsabilidade de seus autores. Ao comentar, o usuário declara estar de acordo com nossa Política de Privacidade e Termos de Uso. Faça login para participar da discussão.
Faça login para participar da discussão sobre essa matéria.
Fazer login para comentar
