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segunda-feira, 28 de setembro de 2026
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Vereadora aponta omissão em leitura de documento do Ministério Público na Câmara

Neusa Swarowski afirmou que trecho relevante de recomendação da Promotoria foi omitido pelo secretário. Élcio Colaço disse que discussão possui caráter pessoal. Entenda.

6 de maio de 2026 · 11:37 · 3 min de leitura · Rio Negro

Fotos: Reprodução/TV Câmara

 

O clima voltou a esquentar na Câmara de Rio Negro durante a sessão desta terça-feira (5), após a vereadora Neusa Heuko Swarowski (Cidadania) questionar a leitura de um documento encaminhado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR).

 

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O documento é ligado ao Inquérito Civil 0124.25.001000-4 e trata da convocação de suplentes de vereadores em períodos de licença inferiores a 120 dias. Segundo a parlamentar, a leitura realizada na sessão ordinária de 31 de março não teria incluído um trecho considerado relevante da correspondência oficial.

 

De acordo com o requerimento, a omissão envolve justamente uma passagem em que o Ministério Público menciona nominalmente o vereador Élcio Josué Colaço (PSD), 1º secretário, responsável pela leitura do expediente naquela sessão.

 

A vereadora afirmou que a situação compromete princípios de publicidade, transparência e fidelidade dos registros legislativos.

 

Durante o uso da tribuna, Neusa afirmou que decidiu apresentar o requerimento após considerar que houve a supressão de um trecho relevante durante a leitura do documento.

 

“Na hora que o secretário leu e suprimiu um parágrafo. Porque segundo o nosso regimento interno, a leitura do expediente não é meramente simbólica. A finalidade é dar ciência ao plenário sobre documentos recebidos pela Câmara”, declarou.

 

A parlamentar também afirmou que voltou a ouvir a gravação da sessão. “Onde foi suprimido somente esse parágrafo. Então quem escuta essa leitura não tem um entendimento”, disse.

 

O que diz o Ministério Público

No documento enviado à Câmara, a 2ª Promotoria de Justiça de Rio Negro afirma que o inquérito foi instaurado para apurar “supostas irregularidades decorrentes da convocação e pagamento de suplentes de vereadores em períodos de licença inferiores a 120 dias”.

 

A recomendação administrativa cita que “restou comprovado que o vereador titular, Élcio Josué Colaço percebeu subsídio integral de R$ 7.569,59, enquanto o suplente Josias Tomaz da Silva recebeu R$ 3.784,80 pelo mesmo período, gerando duplicidade de despesa pública”.

 

O Ministério Público também afirma que a própria Câmara confirmou que a prática ocorre de forma sistemática em outras convocações inferiores a 120 dias.

 

Ainda conforme o MPPR, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal estabeleceram que suplentes só podem ser convocados em afastamentos superiores a 120 dias, seguindo o princípio de simetria com a Constituição Federal.

 

A promotoria sustenta ainda que a manutenção da regra prevista na legislação municipal pode gerar prejuízo ao erário e até configurar ato de improbidade administrativa por lesão aos cofres públicos.

 

O órgão também informou ter encaminhado representação ao Procurador-Geral de Justiça para análise de eventual Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra trecho da Lei Orgânica do município.

 

O que diz Élcio Colaço?

Após a manifestação da vereadora, o vereador Colaço rebateu as declarações e afirmou que não cometeu erro durante a leitura do expediente.

 

“Eu acho que é uma questão pessoal, né, vereadora?! Eu quero dizer a você que não fui eu que errei. Eu fiz as coisas certas. Eu só não produzi prova contra mim mesmo nessa fala por conta que eu fui citado”, afirmou.

 

O parlamentar também declarou que o documento completo estava disponível no sistema legislativo da Câmara e acessível aos vereadores.

 

“Todo mundo tem acesso ao sistema de apoio ao processo legislativo. Está na pauta, está lá, todo mundo pode ler esse ofício”, disse.

 

Durante a discussão, Neusa voltou a afirmar que o requerimento não teve caráter pessoal.

 

“Eu fiz um requerimento onde eu senti que na realidade houve uma falha e pedi para que isso seja corrigido. Eu não citei nome”, respondeu.

 

O que pede a vereadora

No requerimento protocolado na Câmara, Neusa Swarowski pediu que a correspondência fosse lida integralmente em plenário ou, ao menos, feita a leitura complementar do trecho supostamente omitido.

 

A vereadora também pediu que o episódio seja registrado oficialmente em ata e que futuras correspondências encaminhadas por órgãos de controle sejam lidas integralmente ou sem supressão de trechos considerados relevantes.

 

Recomendação do MP

Na recomendação administrativa, o Ministério Público orienta a Câmara de Rio Negro a suspender novas convocações de suplentes em licenças inferiores ou iguais a 120 dias, além de adequar a Lei Orgânica Municipal e o Regimento Interno ao entendimento do STF.

 

Veja os documentos na íntegra

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