
Abril é reconhecido como o mês de conscientização sobre o autismo, uma oportunidade de reconhecer e valorizar pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que transformam suas vivências em formas de expressão e ampliam o olhar da sociedade sobre o tema. Entre essas vozes, está a da mafrense Thayná Carolaine Maiorki Ribeiro, de 28 anos, ilustradora e escritora diagnosticada com TEA, que recentemente lançou seu primeiro livro.
“Habitantes Estranhos” transporta o leitor para uma história ambientada na década de 50, marcada pelo preconceito contra deficiências e doenças. Na narrativa, duas crianças descobrem um grupo que criou seu próprio mundo como forma de escapar da rejeição e das humilhações impostas pela sociedade, trazendo reflexões sobre empatia, julgamentos e a forma como enxergamos o outro.
A obra, publicada pela editora Frutificando, está disponível por R$ 49,90 no site oficial, clicando aqui.
A mafrense relata que sua conexão com a escrita começou ainda na infância. “Sempre gostei de escrever. Ainda tenho rascunhos de quando era criança, sempre voltados para o lado da fantasia, com elementos mágicos”, relembra.
O livro “Habitantes Estranhos” surgiu de forma inesperada. Segundo Thayná, ela não estava focada na escrita naquele momento, mas sim em ilustrações. A partir da primeira ideia, a narrativa foi ganhando forma gradualmente, com novos trechos surgindo ao longo dos dias.
Para a autora, a obra vai além de uma simples aventura e também carrega um alerta. “Quero que as pessoas leiam e entendam essa mensagem: as crianças se encantam com facilidade e agem por impulso, por isso é importante que estejam mais atentas aos detalhes”, explica.
Diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) já na fase adulta, Thayná afirma que sempre apresentou sinais desde a infância. “Sofri muito bullying por ser considerada estranha e, com isso, criava histórias na minha mente como forma de escape. Isso me ajudou a desenvolver a criatividade. Hoje, vivo dentro da história junto com os personagens e consigo transmitir o que quero que o leitor sinta”, conta.
Durante o mês de conscientização sobre o autismo, Thayná reforça a importância de ampliar o olhar da sociedade sobre o tema. Para ela, é fundamental que pessoas com TEA não sejam limitadas. “Podemos muito mais do que pensam. É importante que os pais não limitem e não tratem como um cristal frágil. Precisamos de incentivo, compreensão e paciência, pois existem diferentes níveis, mas todos têm potencial”, destaca.
“Acredito que minha história pode inspirar outras pessoas. Muitos acabam acreditando que não podem ser nada, mas, quando veem que outras pessoas conseguiram, entendem que também têm potencial para crescer”, afirma.
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