
O jogador amador Fernando Tavares da Silva Filho, de 29 anos, denunciou um ato de racismo ocorrido durante uma partida de futebol do Campeonato Municipal, em Mafra.
O caso aconteceu na manhã de domingo (20), no jogo entre as equipes Bar’tira FC e Audazes, realizado na localidade de Augusta Vitória
Segundo relato do atleta, que defende as cores do Bar’tira FC, ele foi alvo de uma ofensa racista vinda da torcida adversária. “Eu ouvi o xingamento ‘macaco’, mas na hora achei que estivesse ouvindo errado. Só percebi a gravidade quando o goleiro do nosso time pediu para parar o jogo, porque também ouviu. Foi aí que a ficha caiu”, contou Fernando com exclusividade ao Riomafra Mix.
Fernando, que nasceu em Palmares (PE) e vive em Mafra há dois anos, trabalha como operador de máquinas e joga futebol amador desde os 14 anos. “Na hora eu só queria sair dali. Me senti mal, com raiva, triste, um misto de sentimentos. Hoje estou ainda pior. Não consigo parar de pensar nisso”, desabafou.
A vítima relatou ainda que torcedores identificaram a autora da injúria, uma pessoa ligada à equipe adversária, mas ela negou o ato.
O atleta registrou um boletim de ocorrência online na Polícia Civil e espera providências. “Espero que isso não se repita. Racismo destrói nossa autoestima e faz a gente se sentir pequeno diante de tanta maldade”, disse.
De acordo com delegado regional de Mafra, Cassiano Tiburski, com o registro do boletim de ocorrência, o caso será investigado. “Vamos apurar os fatos e identificar os responsáveis.”
Arbitragem relatou o caso O árbitro da partida, Paulo Roberto Bredun, relatou o episódio na súmula. Segundo o documento, o jogo foi interrompido após a denúncia da ofensa.
“Os capitães foram chamados para tentar identificar a torcedora, sem sucesso. Mesmo abalado e chorando, Fernando pediu para continuar a partida”, diz o relato.
DME e Prefeitura repudiam ato O diretor de esportes, Carlos Roberto da Silva (Carlão), informou que o Departamento Municipal de Esportes (DME) está ouvindo testemunhas e levantando informações.
“Uma posição oficial será tomada nos próximos dias, e tanto a equipe quanto a pessoa envolvida certamente serão punidas. Não toleramos, de nenhuma forma, casos de racismo e injúria em nossas competições, sejam elas quais forem, independente da modalidade”, afirmou Carlão.
Em nota oficial, a Prefeitura manifestou “profunda indignação” com o caso e repudiou a atitude racista.
Veja a nota na íntegra:
“É com profunda indignação que a Prefeitura de Mafra manifesta por meio da Secretaria Educação, Esporte e Cultura (Departamento Municipal de Esporte - DME) total repúdio ao crime de racismo ocorrido no último domingo, dia 20 de julho, durante a partida entre as equipes Bar’tira FC e Audazes, válida pelo Campeonato Municipal de Mafra, na localidade de Augusta Vitória. Durante o jogo, um jogador amador foi alvo de ofensas racistas, um ato inadmissível que fere não apenas a vítima diretamente atingida, mas toda a sociedade. O racismo é crime, previsto em lei, e deve ser combatido com firmeza em todos os espaços, especialmente no esporte, que deve ser símbolo de respeito, igualdade, confraternização e união entre os povos. Esperamos que as autoridades competentes tomem as devidas providências, apurando os fatos com rigor e responsabilizando o(s) autor(es) dessa atitude vergonhosa. Não há mais espaço para qualquer forma de preconceito, discriminação ou intolerância. Nós da administração municipal nos solidarizamos com o atleta vítima desse ato racista e reforçamos nosso compromisso com um esporte justo, inclusivo e respeitoso para todos. Racismo é crime e deve ser combatido Prefeitura Municipal de Mafra Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Cultura Departamento Municipal de Esporte”.
Bar’tira FC pede providêndias Em nota, o Bar’tira Futebol Clube repudiou o episódio de racismo, reforçou seu compromisso com a igualdade e a justiça, e cobrou providências das autoridades competentes.
Leia a nota na íntegra:
“Nós, como sociedade comprometida com a igualdade e a justiça, manifestamos veementemente nosso repúdio ao caso de racismo sofrido pelo atleta Fernando Tavares da Silva Filho, jogador do time amador Bar’tira FC, durante uma partida de futebol realizada em Mafra, na localidade de Augusta Vitória. É inaceitável e indignante que ainda tenhamos que testemunhar atos de discriminação racial no contexto esportivo. O racismo é uma das formas mais abomináveis de violência e intolerância, e não há lugar para ele em nosso país e em nossa sociedade. O esporte, que deveria ser um espaço de união e respeito, tem sido manchado por atos de ódio e preconceito que não condizem com os valores fundamentais que defendemos. Fernando Tavares da Silva Filho, como atleta dedicado e talentoso, merece nosso apoio e solidariedade diante dessa situação lamentável. É admirável que ele tenha decidido tomar as medidas necessárias para levar o caso à justiça, buscando reparação e demonstrando coragem diante de adversidades tão cruéis. Ressaltamos a importância de que as autoridades competentes ajam com celeridade e rigor para investigar e punir os responsáveis por esse ato de racismo. É fundamental que essas ações sejam tratadas como crimes, conforme previsto na legislação vigente, e que os autores sejam responsabilizados pelos danos causados não apenas ao atleta, mas também à sociedade como um todo. Além disso, instamos as entidades esportivas, clubes e associações a intensificarem os esforços no combate ao racismo no esporte. É necessário promover campanhas educativas, criar ambientes seguros e inclusivos, e estabelecer medidas disciplinares rígidas contra qualquer manifestação de discriminação racial. Reiteramos nosso apoio irrestrito a Fernando Tavares da Silva Filho e a todos os atletas que já sofreram ou sofrem com o racismo. Devemos nos unir para construir uma sociedade onde todos sejam tratados com igualdade e respeito, independentemente de sua cor de pele. O combate ao racismo é um compromisso de todos nós, e devemos trabalhar juntos para erradicar esse mal.”
O que diz a equipe Audazes? Diante dos fatos, a equipe Audazes divulgou uma nota, considerando a gravidade do tema e a repercussão do caso, onde reiterou o compromisso com a ética, o respeito e a luta contra toda e qualquer forma de discriminação.
Confira a nota na íntegra: “Primeiramente, gostaríamos de reforçar que a Associação Audazes Futebol Clube repudia com veemência qualquer ato discriminatório em qualquer ambiente da sociedade, no esporte mais ainda por fazermos parte deste ambiente. O racismo é uma chaga histórica que, apesar dos avanços sociais e legais, ainda se faz presente em diversas formas e manifestações no nosso cotidiano. Ele se alimenta de estereótipos, discriminação e desigualdade, perpetuando um ciclo de violência e exclusão contra pessoas negras e outras minorias. Mas não podemos fechar os olhos para essa realidade. Precisamos, como sociedade, combater veementemente todas as formas de racismo e preconceito. Nossa associação possui atletas de várias raças, etnias e credos, onde todos os que gostam do esporte nas modalidades de futebol, futsal e seus similares sempre serão bem-vindos, desde que respeitadas as regras e demais cidadãos e entidades. O racismo é um dos maiores males que ainda persistem em nossas sociedades, uma doença que se alastra de forma silenciosa, mas devastadora, perpetuando desigualdade e injustiça ao longo do tempo. Seu impacto não é apenas individual, mas estrutural, moldando instituições, políticas e relações sociais de maneira insustentável. E o que é mais alarmante é que, muitas vezes, ele se disfarça de “normalidade”, sendo naturalizado ao ponto de ser quase invisível para muitos. No último domingo, uma acusação grave tem circulado envolvendo a equipe do Bar’tira FC x Audazes FC, onde há relato de um atleta que alega ter sofrido injúria racial. Segundo o relato do atleta, o mesmo teria ouvido esses insultos vindos de fora das 4 linhas, mas precisamente a indagação não ocorreu sequer do atleta, mas sim do arqueiro de sua equipe, que veio a comunicar o ato ao árbitro. Mesmo com a gravidade da suposta acusação, que certamente causou espanto e indignação a todos no local, ficou uma dúvida no local. O jogo realizado na localidade de Augusta Vitória havia cerca de 40 pessoas envolvidas diretamente no jogo, com atletas da nossa equipe e do adversário, as duas comissões técnicas, mesários e arbitragem, e fora do campo talvez cerca de 50 a 80 pessoas prestigiando o jogo e envolvidas com a realização do mesmo na localidade, pessoas às quais nenhuma das equipes tem controle ao público, pois ambas as equipes eram visitantes na localidade. Após a suposta acusação do atleta, ao final do jogo, nosso elenco e comissão passaram a buscar informações com terceiros, a respeito do fato, vista a seriedade da situação. Porém, ao abordarmos alguns terceiros no local e inclusive imprensa terceirizada, fomos, de certa forma, surpreendidos com o parecer deles. Segundo o relato de terceiros, os mesmos informaram que em nenhum momento da partida ouviram insultos ligados a racismo, algo que também questionamos, porque o campo do local é pequeno e a torcida fica próxima, qualquer xingamento era audível em qualquer parte do local. Certamente, se ocorresse esta situação, paralisaríamos o jogo de qualquer forma, pois é inadmissível tal conduta. Iríamos paralisar a partida até a identificação do infrator. Recebemos o relato do atleta nas redes sociais com certa indignação, ao mesmo induzir que a suposta ofensa seria proferida por parte da esposa de um atleta da nossa equipe e isso seria de parte "integrante da equipe". Caro Fernando, conforme já abordamos, nossa equipe possui atletas de várias etnias, raças e credos, nosso presidente é negro, temos diversos jogadores que se consideram negros na nossa equipe. Ao indagar que uma pessoa que está de fora do campo é membro da nossa associação, está cometendo um equívoco gravíssimo. No jogo, membros da nossa associação eram os 22 atletas que estavam em campo, nossos membros da comissão, com técnico e auxiliar técnico, e as duas pessoas que fazem a cobertura de imprensa do nosso time em campeonatos. Mesmo com a narrativa de terceiros que informaram não ter ouvido os supostos insultos, incentivamos no ato que, se tal fato ocorreu, que o mesmo realizasse denúncia. Entrementes, há um fato curioso e que causa uma contradição gigantesca e gritante. A todo momento, terceiros que não teriam relação com nenhuma das equipes, como o jornalista Gaúcho, informaram que em momento algum escutaram tal fato. Em nenhum momento vimos Fernando chorar em campo, pois, em teoria, a suposta injúria veio a ser informada somente pelo goleiro deles, sequer o próprio Fernando havia relatado ter escutado. Em nenhum momento a arbitragem relatou que ouviu por conta própria o ato, pois o próprio senhor Paulo Roberto Bredun, árbitro da partida, relatou em súmula que supostamente o goleiro veio a informar o ato. Sendo assim, as informações se contradizem. Primeiro, todos relataram que a suposta injúria deferida teve a sua autoria desconhecida, sendo que todos tentaram identificar a suposta autora na hora. Depois, incrivelmente, com todo respeito ao talentoso Fernando, o atleta informa que sabe quem foi a autora? É uma acusação seríssima que está sendo indagada por Fernando. Quando há alguma acusação deste escalão, ela deve ser devidamente comprovada com provas materiais. E, de certo modo, já há esta contradição, onde na hora não identificaram e, depois de mais de 24 horas, ele identificou? Ressaltamos que, até o momento, nem a equipe do Bar’tira nem o atleta nos procuraram para indicar a autoria dos fatos. Queremos também o pronunciamento do árbitro com relação à sua oitiva, pois, num jogo onde houve erros cruciais para ambos os lados, deixando a partida nervosa, onde se omitiram a prestar socorro ao nosso atleta após uma forte bolada no pescoço - e a falta de cuidado poderia ter custado a vida do nosso atleta, que teve que ser encaminhado ao hospital devido à gravidade do fato -, na súmula ele não relata que teria ouvido, sendo que, num campo pequeno como é o do Augusta Vitória, seria totalmente audível tal injúria. Na súmula é relatado que apenas uma pessoa, no meio de 120 que estariam no local, ouviu. Também queremos que o árbitro indique o porquê, na súmula, ele indicou que a torcida seria da nossa equipe, pois nossa equipe era a visitante no jogo, não possuía local destinado específico para a nossa torcida e nem para a torcida adversária, caso as torcidas das mesmas viessem ao local. Então, o que levou o árbitro a indicar que seria da nossa torcida? Queremos também esclarecimentos do DME de Mafra, em especial ao popular Natinha, pela censura à nossa equipe de imprensa neste jogo. Também questionamos ao mesmo o porquê, ao invés de estar devidamente no seu local destinado junto aos mesários, o mesmo se ausentou do jogo inteiro. O que a nossa instituição quer é que sejam respeitados todos os conceitos éticos e legais, dentro e fora de campo. Que os fatos sejam devidamente apurados pelas autoridades competentes e, se houver ocorrido e comprovado tal fato, que o agressor ou agressora seja punido conforme a lei prevê. Caso não haja a comprovação e constatado que não houve, também tomaremos as devidas providências ao caso. Confiamos que as autoridades irão esclarecer todos os fatos e que a verdade irá aparecer.”
Matéria alterada O texto foi alterado após a publicação para inserção da nota oficial da Audazes.
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