
A interdição da ponte de ferro na PR-427, que liga Campo do Tenente a Lapa, tem provocado preocupação e prejuízos para comerciantes e indústrias da região.
Desde o dia 1 de setembro, quando a estrutura foi fechada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), empresas relatam queda no movimento, dificuldades logísticas e até demissões.
A empresária Heloise Biscaia, de Campo do Tenente, gravou um vídeo em frente à ponte pedindo apoio da população por meio de um abaixo-assinado. “Nos primeiros quatro dias que a ponte foi fechada, não teve ninguém trabalhando. Agora, apenas duas pessoas. O prazo para a conclusão é desconhecido. Por isso começamos um abaixo-assinado (clique AQUI para assinar). Estado, olhe por nós. Município, Legislativo e Executivo. Precisamos de vocês”, disse.
Segundo Heloise, seu posto de combustíveis já precisou desligar oito funcionários desde a última interdição da ponte, pois não conseguiu manter o quadro diante da redução no volume de clientes. “Nós somos afetados diretamente, tanto Campo do Tenente quanto a Lapa. Não conseguimos aguentar esses 90 dias ou mais da ponte completamente fechada. O desvio não atende nosso fluxo”, afirmou.
Além do impacto econômico, moradores relatam preocupação com o acesso a serviços de saúde. A empresária citou o caso de gestantes que precisam se deslocar até a maternidade em Lapa: “Antes levávamos 30 minutos. Agora, pelo desvio, pode demorar mais de uma hora. Se precisar ir a Curitiba, até duas horas.”
De acordo com o DER/PR, a ponte apresenta danos nos grampos de fixação das chapas metálicas, rompimento de soldas e acúmulo de óleo sobre o tabuleiro. Os serviços incluem a substituição das chapas por gradil metálico, reforço da treliça, melhorias nos acessos, além de limpeza e pintura da estrutura. O investimento é de R$ 2,5 milhões, com previsão de conclusão até novembro.

Durante as obras, a ponte, que tem 152,95 metros de extensão e 3,3 metros de largura, ficará interditada inicialmente para todo o tráfego e caminhões devem utilizar a BR-476 e BR-116 como rota de desvio, enquanto veículos leves podem passar por uma estrada municipal não pavimentada.
Inaugurada em 1894 para a linha férrea entre Lapa e Rio Negro, a ponte foi desativada do uso ferroviário em 1960 e adaptada para o tráfego rodoviário no ano seguinte. Apesar do valor histórico, comerciantes defendem que uma nova ponte de concreto seja construída para atender a demanda atual, preservando a estrutura centenária para veículos leves e turismo.

O que diz o DER? Em nota, o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná se manifestou sobre o caso e informou os motivos que levaram à interdição da ponte sobre o Rio da Várzea, na PR-427.
Veja a nota na íntegra:
“O DER/PR informa que a ponte sobre o Rio da Várzea na PR-427 foi interditada devido aos danos acumulados pela estrutura desde a última reforma, causados principalmente pela travessia de veículos com excesso de peso bruto total e excesso de velocidade, aumento da flexibilidade da treliça após retirada das antigas placas de concreto do tabuleiro, bem como a fadiga natural da estrutura metálica, com mais de um século de atividade. Manter a ponte operando nestas condições aumentaria as chances de graves danos estruturais e riscos aos usuários. A empreiteira responsável realizou uma avaliação inicial e está elaborando plano de trabalho para prosseguir a obra, bem como providenciando os insumos necessários e demais preparativos. Alguns serviços já foram iniciados e devem avançar mais nos próximos dias, como a retirada de todas as chapas e gradil metálico do tabuleiro. A interdição deve durar até 90 dias, até novembro, mas o DER/PR não vai medir esforços para buscar reduzir esse prazo, visando reduzir os transtornos para usuários. Além disso, conforme os serviços evoluam poderá ser implementado o sistema pare-e-siga, ou bloqueio somente diurno no trecho”, concluiu a nota.
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