
Pelas redes sociais, o apelido “Saint Catherine” começou como uma tentativa de desmerecer Santa Catarina.
Surgiu em comentários de opositores, gente da esquerda, ou que não aceita o modelo catarinense, uma minoria barulhenta nas redes, que ironizou as políticas firmes de segurança adotadas no Estado. Só que a ironia não vingou. Ao contrário, acabou reforçando a percepção de que Santa Catarina está fazendo o que muitos lugares do Brasil evitam: estabelecer ordem, cuidar das pessoas e proteger o espaço público com responsabilidade.
O estopim dessa onda foi a decisão do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), de instalar na Rodoviária Rita Maria um posto avançado da Assistência Social para identificar quem chega à cidade sem vínculos ou condições básicas de permanência.
Pessoas em situação de vulnerabilidade que desembarcam sem qualquer suporte recebem passagem de volta para sua cidade de origem. A medida, pensada para evitar o agravamento do quadro social da capital, virou alvo de críticas de um pequeno grupo que tenta associar rigor à crueldade. Não colou.
O governador Jorginho Mello (PL) endossou a iniciativa, ofereceu reforço de segurança e ainda entrou na brincadeira ao dizer, em tom irônico, que consultaria a Procuradoria para saber se é possível pedir visto para entrar em Santa Catarina. A fala viralizou, amplificou a piada e devolveu para os críticos o efeito contrário ao que imaginavam: o Estado passou a ser visto como referência, não como motivo de chacota.
As provocações sobre “visto”, “green card” ou “controle migratório catarinense” acabaram funcionando como reconhecimento involuntário de que Santa Catarina faz o que boa parte dos brasileiros gostaria de ver em seus estados.
O delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, resumiu o espírito local ao afirmar que “aqui o bambu ronca”. E os números confirmam. Desde 2023, foram presos 21.386 criminosos e mais de 24 mil investigados receberam visitas das equipes policiais. É uma rotina de enfrentamento direto.
Os primeiros cem dias de 2025 reforçaram o cenário. Dados da Polícia Militar revelaram queda de 24,2% nas mortes violentas, redução de 19,7% nos homicídios, menos 42,9% de latrocínios e uma queda de 47,6% nos feminicídios. Não é coincidência que Santa Catarina mantenha o posto de Estado mais seguro do país.
Desde as últimas semanas, a nova lei estadual que multa quem for flagrado consumindo ou portando drogas ilícitas em espaços públicos segue a mesma lógica. A multa equivale a um salário mínimo e dobra em caso de reincidência. A ideia é simples: a praça, o parque e a rua são espaços de convivência, não territórios abandonados à própria sorte. É a aplicação prática de que pequenas permissões geram grandes problemas.
Essa cultura de organização e responsabilidade também se reflete nos grandes eventos. A Oktoberfest de Blumenau recebeu 689.201 visitantes na sua 40ª edição, bateu recordes de público e terminou com apenas dez furtos de celulares, todos recuperados. Enquanto festas em outras regiões do país lidam com arrastões, violência e insegurança, Blumenau entregou resultado impecável.
O apelido que começou como ironia virou selo. “Saint Catherine” não é mais uma tentativa de diminuir o Estado. É, sem querer, uma admissão de que ele se destaca, de que incomoda quem não consegue repetir seus resultados e de que mostra caminhos que o Brasil insiste em ignorar.
Se a intenção era desmerecer, deu errado. Santa Catarina segue entregando números, decisões firmes e uma segurança pública que muitos gostariam de chamar de sua.
Enquanto o Brasil observa. E aprende (ou deveria).
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